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Associação no Pará transforma resíduos de caranguejo em insumo para a agricultura

Iniciativa em Maracanã alia economia circular, reaproveitamento de resíduos e geração de renda para comunidades tradicionais da região costeira amazônica

Foto: Divulgação/Semagri

O modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia ganhou um novo marco com o fortalecimento da cadeia produtiva do caranguejo no município de Maracanã, no Nordeste do Pará. Na última segunda-feira (19), a Associação de Coletores e Beneficiadores de Caranguejo de Maracanã (ACBCM) foi contemplada com uma infraestrutura completa de equipamentos e insumos voltados para a melhoria das condições de trabalho, agregação de valor ao pescado e ampliação de mercados.

A ação é fruto de uma articulação interinstitucional entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), órgãos municipais e as empresas Dendê do Tauá S.A. e JJ Ambiental S.A., consolidando o papel estratégico da parceria público-privada na bioeconomia regional.

Para Rosalina Modesto, liderança e presidente da associação, a entrega coroa anos de dedicação das comunidades tradicionais. “Isso aqui é nossa vida e representa a concretização do sonho coletivo de nossas famílias”, declarou.

Infraestrutura e Segurança Operacional

O lote de doações incluiu equipamentos de proteção individual (EPIs), lavadora de alta pressão, mesas e utensílios em aço inox, seladora térmica, fogão industrial, freezers, climatizadores e mobiliário ergonômico. Os itens foram planejados para otimizar as etapas de higienização, manipulação, conservação e armazenamento, elevando os padrões sanitários da produção local.

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Foto: Divulgação/Governo do Pará

Protagonismo Feminino e Inclusão Social

Fundada em 2007 a partir da articulação de mulheres catadoras por reconhecimento e direitos sociais — como o acesso ao seguro-defeso —, a ACBCM tornou-se referência em organização comunitária. Hoje, a entidade representa 1.500 associados ativos em Maracanã e Santarém Novo, sendo 50% mulheres, 46% homens e 4% pertencentes ao público LGBTQPNA+. Além da atividade produtiva, a associação desenvolve ações contínuas de assistência social e saúde pública nas comunidades tradicionais.

Economia Circular Azul e Bioeconomia

Integrada aos preceitos da economia circular, a associação atua em parceria com a Fundação Ekobé no reaproveitamento de resíduos da cadeia produtiva. Cascas de caranguejo e caroços de açaí são transformados em biocalcário, um insumo agrícola de alta concentração de nutrientes e quitina destinado à regeneração de solos na agricultura familiar.

Segundo Rodolpho Zahluth Bastos, secretário-adjunto da Semas, a iniciativa exemplifica o modelo de desenvolvimento alinhado às potencialidades amazônicas: “O fortalecimento da estrutura produtiva, aliado à preservação de saberes tradicionais, amplia as oportunidades de geração de renda e consolida a bioeconomia como vetor de sustentabilidade na região”, afirmou.

A relevância do empreendimento comunitário também foi atestada pelo relatório técnico do Selo Amazônia Mulher, que apontou 70,8% de conformidade geral, recomendando a certificação da associação pelo protagonismo feminino e pelas práticas sustentáveis na Zona Costeira da Amazônia.

Fonte: Governo do Pará