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Desmatamento na Amazônia ameaça safra de grãos e energia no Paraná, diz estudo

Estudo da UFPR aponta que a destruição da floresta compromete os rios voadores e afeta região responsável por 60% da produção agrícola paranaense

Foto: Christian Braga/Greenpeace

Um estudo científico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicado no periódico Brazilian Journal of Biology confirma a relação direta entre o aumento do desmatamento na Amazônia e a diminuição do volume de chuvas na região Sul do Brasil. O levantamento, publicado em julho de 2026, analisa especificamente os impactos da perda de cobertura vegetal amazônica sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Iguaçu, área estratégica para a economia paranaense.

A região monitorada engloba 35 municípios responsáveis por 60% da produção de grãos e 23% da pecuária do estado do Paraná, além de abrigar cinco usinas hidrelétricas que geram 41% da energia elétrica consumida no estado. Segundo o estudo, a supressão da floresta amazônica reduz o processo de evapotranspiração, diminuindo a umidade transportada pelos rios voadores que alimentam o regime pluviométrico do Sul.

Cruzamento de dados e impacto nos rios voadores

A pesquisa correlacionou dados mensais de desmatamento – obtidos por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Imazon – com os índices de precipitação de 64 estações pluviométricas no período entre janeiro de 2011 e dezembro de 2023. O processamento das informações apontou que os ciclos de maior perda florestal na Amazônia coincidem com períodos de redução expressiva na precipitação acumulada da bacia do Rio Iguaçu.

“Essa relação é corroborada tanto por análises estatísticas quanto por estudos meteorológicos, que indicam o papel fundamental da floresta amazônica no ciclo regional de umidade e no fornecimento de umidade atmosférica ao sul do estado do Paraná. O avanço do desmatamento perturba esse equilíbrio e pode intensificar eventos extremos, como secas prolongadas e mudanças na distribuição espacial e temporal das chuvas”,  dizem os cientistas no estudo.

Os cientistas destacam que a alteração no equilíbrio do ciclo hidrológico intensifica eventos extremos, provocando secas prolongadas e modificando a distribuição temporal e espacial das chuvas na região receptora.

Influência de fenômenos climáticos e governança

O levantamento avaliou a interferência dos fenômenos El Niño e La Niña na dinâmica de chuvas do Paraná. Enquanto o El Niño eleva a umidade na Bacia do Iguaçu e reduz as chuvas na Amazônia, a La Niña inverte o padrão, direcionando maior volume de precipitação para a floresta tropical e secando a região Sul.

Apesar da influência das oscilações térmicas do Oceano Pacífico, os autores enfatizam que a atuação dos fenômenos climáticos é secundária frente às decisões de governança ambiental. O artigo conclui que as alterações na legislação, os interesses econômicos e a condução das políticas públicas de fiscalização desempenham papel determinante no ritmo do desmatamento na Amazônia e na consequente degradação dos ecossistemas conectados.

Fonte: Jornal O Eco