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Amapá lança concessão florestal de 603 mil hectares com previsão de R$ 643 milhões em investimentos

Edital prevê 10 unidades de manejo sustentável, contratos de 31 anos e R$ 608,8 milhões em royalties florestais

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Fortalecendo a interseção entre o desenvolvimento socioeconômico e a proteção ambiental, o governo do Estado do Amapá lançou na última sexta-feira (16) um edital histórico de licitação voltado à concessão de 10 Unidades de Manejo Florestal (UMFs) na Floresta Estadual do Amapá (Flota/AP). A medida representa um marco para a bioeconomia regional ao destinar 603 mil hectares para áreas produtivas sob rigorosos critérios de sustentabilidade.

O projeto estruturado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê contratos de 31 anos. A estimativa é atrair cerca de R$ 643 milhões em investimentos privados, além de injetar R$ 608,83 milhões em royalties florestais e direcionar R$ 173,23 milhões para compromissos socioambientais focados na proteção da floresta e na infraestrutura das comunidades locais.

Visão estratégica e segurança jurídica

Durante a cerimônia de lançamento, realizada no Parque Residência Janary Nunes, em Macapá, o governador Clécio Luís destacou o impacto de longo prazo da iniciativa para a matriz econômica amapaense.

“Essa concessão significa construção de futuro. É uma licitação onde as empresas irão poder fazer a extração vegetal e a industrialização da madeira do nosso estado. Com isso, são indústrias, empregos, desenvolvimento de um setor que é próprio do Amapá. Nós estamos construindo as bases para uma economia sustentável pelas próximas três décadas”, pontuou o governador, acompanhado do vice-governador Teles Júnior.

A modelagem técnica, apoiada pelo BNDES, busca assegurar solidez regulatória e atratividade para o setor privado. Segundo Camila Lima, gerente da Área de Soluções para Infraestrutura do banco, o processo reflete o alinhamento entre os objetivos públicos e a viabilidade dos negócios na região:

“Nossa atuação é extremamente técnica e voltada aos objetivos públicos de desenvolvimento econômico, social e ambiental. O edital vai originar 10 contratos de concessão florestal e vai impulsionar bastante essa atividade, trazendo diversos benefícios que têm a sustentabilidade na sua essência.”

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Foto: Governo do Amapá / Divulgação

Impacto setorial e abrangência geográfica

A licitação alcança diretamente seis municípios amapaenses: Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Pracuúba e Oiapoque, abrangerá 25% da área total da Flota do Amapá e contempla a exploração planejada de madeira em tora, material lenhoso residual, produtos não madeireiros, além da inserção em mercados de créditos de carbono e serviços ambientais. Podem participar do certame empresas, cooperativas e associações comunitárias sediadas no estado.

O setor produtivo local avalia o momento como uma virada de chave para a segurança jurídica e a retomada operacional. Henrique Ulchak, presidente do Sindicato das Indústrias de Extração e Desdobramento de Madeiras no Estado do Amapá (SindMadeiras/AP), ressalta o peso social da cadeia:

“O setor florestal vive um momento novo no Amapá. Nós estávamos parados. Agora temos indústrias operando e hoje são mais de 5 mil famílias que dependem e vivem dentro desse setor florestal. As concessões florestais vão trazer essa segurança, a continuidade desse setor de forma legal, sustentável e renovável.”

Com o histórico bem-sucedido da primeira concessão do estado — iniciada em 2016 com a TW Forest em 67 mil hectares, gerando cerca de 300 empregos diretos —, o novo edital multiplica por quase nove vezes a área sob manejo regulado. Todas as atividades licenciadas serão fiscalizadas pela Sema, garantindo o respeito aos ciclos de regeneração natural e consolidando o papel da Amazônia como líder na transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: Governo do Amapá