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Cieam cobra governança antecipada contra a seca: “Estiagem severa não pode ser tratada como excepcionalidade”

Seminário em Manaus discutiu alternativas logísticas e aduaneiras para garantir o abastecimento e o escoamento do Polo Industrial de Manaus

Alfredo Fernandes | Foto: Alfredo Fernandes

Diante do desafio recorrente da vazante na bacia amazônica, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) mobilizou o setor produtivo, operadoras logísticas e órgãos de fiscalização no seminário técnico “Soluções para a Estiagem de 2026: Operações Logísticas e Aduaneiras”.

O encontro, promovido pelas Comissões de Logística e Comércio Exterior da entidade no auditório do SENAI (Distrito Industrial I), teve como meta alinhar protocolos de contingência para blindar a cadeia de suprimentos e o escoamento do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Alinhamento estratégico e multimodalidade

A mesa diretora reuniu os principais nomes da infraestrutura regional, incluindo a direção executiva do Cieam, representantes de terminais de peso — como Super Terminais, Grupo Chibatão e Vinci Airports —, a Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (ABAC) e as delegacias da Receita Federal nos aeroportos e portos.

Em pauta, estiveram alternativas práticas para contornar os trechos críticos de navegação dos rios, destacando-se:

  • Operação Itacoatiara 2026: Modelos de transbordo e atracação temporária para garantir a continuidade do transporte de cargas pesadas.

  • Rota aérea complementar: O uso estratégico do Aeroporto de Manaus para o suprimento ágil de insumos urgentes e mercadorias de alto valor agregado.

  • Segurança aduaneira: Diretrizes da Receita Federal voltadas aos Terminos de Uso Privativo (TUPs) e ao aeródromo para garantir flexibilidade nos processos de importação e exportação.

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Foto: Divulgação/Cieam

Governança e previsibilidade para a indústria

Para o presidente executivo do Cieam, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, a estiagem severa na Amazônia exige maturidade e respostas estruturadas em conjunto com o poder público.

“A estiagem severa na bacia amazônica não pode mais ser tratada como uma excepcionalidade imprevisível; ela exige rotinas claras de governança, diálogo técnico e respostas ágeis entre iniciativa privada e poder público. O encontro de hoje no SENAI cumpre o papel fundamental de alinhar todos os elos da cadeia, do porto ao avião, passando pela fiscalização aduaneira. Nosso compromisso é dar previsibilidade às indústrias, assegurar o cumprimento de prazos com os mercados consumidores e, acima de tudo, resguardar os postos de trabalho gerados no Amazonas”, pontuou o dirigente, reforçando que o foco principal é dar previsibilidade às fábricas e resguardar os postos de trabalho no Amazonas.

O coordenador da Comissão de Logística do Cieam, professor Augusto César Barreto Rocha, enfatizou que a antecipação de alternativas multimodais reduz o impacto financeiro dos fretes e evita gargalos operacionais no leito dos rios.

Já o coordenador da Comissão de Comércio Exterior, Celiomar Gomes, celebrou a integração com a Receita Federal, destacando que a fluidez nos desembaraços traz a segurança jurídica necessária para que as empresas readequem suas rotas sem incorrer em custos adicionais de retenção de cargas.

Com o encerramento do seminário e a rodada de debates técnicos, as comissões do Cieam seguirão monitorando o comportamento hidrológico da região ao longo de todo o período crítico de seca.