Tecnologia & Inovação
Polo de Manaus na rota da IA: Redata vai impulsionar indústria local de servidores, aponta Positivo
Incentivos da Zona Franca e produção com PPB podem ampliar a competitividade da indústria local com o avanço dos data centers
Foto: Divulgação/Pixabay
A indústria tecnológica instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) ganha um papel estratégico central no fornecimento de infraestrutura avançada para a inteligência artificial (IA) e grandes centros de dados no Brasil.
A perspectiva foi destacada pelo presidente da Positivo Tecnologia, Hélio Rotenberg, ao Valor Econômico, ao avaliar os impactos do novo Regime Especial de Tributação para Data Centers (Redata) – sancionado em 17 de setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – aliado aos diferenciais competitivos já consolidados em alguns estados, como o da Zona Franca de Manaus.
Segundo o executivo, a iniciativa governamental traz uma regulação formulada de forma inteligente, representando “uma oportunidade gigante” e “uma vantagem competitiva grande para a indústria local”.
Vantagens competitivas e produção local
Com a exigência de novas tecnologias — como servidores de alta capacidade para hyperscalers, unidades voltadas a neoclouds de IA e modernos sistemas de resfriamento líquido exigidos pelo Redata —, a fabricação regional se fortalece. A combinação de incentivos federais com o Processo Produtivo Básico (PPB) garante diferenciais importantes para a cadeia produtiva local.
Conforme pontuou Rotenberg, “para a produção local com PPB, há diferimento total na importação de componentes, partes e peças produtivas destinadas à produção do servidor”.
Além disso, as fábricas instaladas em Manaus (AM) e Ilhéus (BA) já contam com alta capacidade técnica para atender a essa demanda, fabricando linhas próprias como a Inteliserver (voltada a pequenas e médias empresas) e atuando em parcerias internacionais de ponta, a exemplo da produção local de servidores de alta capacidade da americana Supermicro.
Apesar do otimismo, o setor aponta que o Redata sozinho não basta sem uma redução significativa do ICMS estadual. Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o ICMS responde por dois terços dos custos de importação dos equipamentos, tema cuja análise pelo Confaz ficou para o fim do ano. Mesmo com o debate, a fabricação nacional reduz a dependência de importações de máquinas prontas, mitigando o peso tributário sobre o produto final.
“Se a indústria local tiver capacidade de produzir servidores para ‘hyperscalers’, que sejam produzidos no Brasil. A indústria nacional é muito capaz e segue competitiva”, diz Rotenberg.
Demanda em aceleração
O mercado nacional já registra forte expansão na área mesmo antes do boom previsto pelo Redata.
No segundo trimestre, a divisão Positivo Servers & Solutions registrou receita bruta de R$ 174 milhões, o que representa um expressivo aumento anual de 107,4%, refletindo a aceleração nas vendas de servidores e a antecipação do mercado frente ao crescimento da demanda por processamento de dados e inteligência artificial no país.
Fonte: Valor Econômico

