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Redes do Amazonas e do Pará somam R$ 16,7 bilhões em vendas e mostram como crédito e conhecimento local viraram vantagem competitiva no Norte

O ranking dos maiores varejistas do país trouxe um recorte importante sobre o comércio brasileiro. Elaborado pelo Instituto Retail Think Tank (IRTT), o TOP 300 do Varejo Brasileiro 2026 mostrou que grupos nascidos no Amazonas e no Pará alcançaram escala bilionária sem depender de expansão nacional.

Juntos, Bemol, Super Nova Era, Grupo Tapajós, Líder, Formosa e Preço Baixo somaram R$ 16,7 bilhões em vendas em 2025.

O Amazonas colocou três empresas entre as 300 maiores varejistas do país, com R$ 8,277 bilhões em vendas somadas. O Pará, também com três nomes no ranking, chegou a R$ 8,380 bilhões, uma diferença de apenas R$ 103 milhões entre os dois estados.

Para Alberto Serrentino, cofundador do IRTT e fundador da Varese Retail, o padrão observado no Norte não é exceção ao resto do varejo brasileiro, marcado por operadores regionais fortes e mercado pulverizado. A diferença, de acordo com ele, está na logística.

“O Norte não é diferente do padrão observado no restante do Brasil. A região apresenta, contudo, uma peculiaridade, especificamente no Amazonas, em termos geográficos e logísticos. Essa complexidade adicional se torna uma importante barreira de entrada e, de certa forma, uma proteção para os operadores locais que dominam a dinâmica desse ambiente”, afirma Serrentino.

Amazonas ganha escala

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Bemol é a maior varejista do Amazonas | Foto: Divulgação

A Bemol lidera entre as amazonenses: 58ª posição nacional, R$ 4,335 bilhões em vendas em 2025, alta de 8% sobre o ano anterior. São 80 lojas e 4,1 mil funcionários, com presença no Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, segundo o IRTT.

O número do ranking mede apenas o varejo. No consolidado da própria companhia, o faturamento total superou R$ 5 bilhões, já que a empresa também opera em farmácias, mercados, loterias, serviços financeiros, crédito e clínicas.

O Super Nova Era foi quem mais acelerou. Chegou à 75ª posição nacional, com R$ 3,255 bilhões em vendas, um crescimento de 35% em um ano, cerca de quatro vezes acima da média das empresas com dados comparáveis no ranking (8,6%).

A rede saiu de 25 para 39 lojas no período, com avanço no supermercado e no atacarejo, e seguiu comprando: a aquisição do Atack ampliou a presença em Manaus, enquanto uma mudança na diretoria em Porto Velho melhorou o desempenho das unidades locais.

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De origem em Rondônia, Nova Era ocupa hoje a 75ª posição no país | Foto: Divulgação

“A aquisição do Atack ampliou a nossa presença e participação no mercado local. Já em Porto Velho, tínhamos um desempenho expressivo das unidades a partir de uma mudança na diretoria, que trouxe novos direcionamentos para a operação e refletiu em resultados significativos para as lojas da cidade”, afirma Luís Araújo, diretor do Grupo Super Nova Era.

Segundo ele, escala maior significa mais poder de negociação com fornecedores e melhor diluição de custos: “À medida que você cresce, seu poder de negociação também aumenta com as indústrias e prestadores de serviços. Com uma operação maior, você consegue negociar melhor e, consequentemente, melhorar custos e despesas.”

A meta do grupo é chegar a R$ 5,5 bilhões em faturamento nos próximos cinco anos, com novas unidades em Manacapuru e Itacoatiara (AM) e Ji-Paraná (RO), a partir de centros de distribuição já instalados em Manaus e Rondônia.

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Foto: Divulgação

Fecha o trio amazonense o Grupo Tapajós, na 267ª posição nacional, com R$ 687 milhões em vendas (+18%), 96 lojas e 1.937 funcionários. A empresa atua no varejo farmacêutico com as bandeiras Santo Remédio, FlexFarma e FarmaBem, e mantém uma estrutura de distribuição com centros em Manaus, Porto Velho, Guajará-Mirim, Boa Vista, Belém e Santarém. Segundo a companhia, a malha atende 1.600 clientes cadastrados e positivados.

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Foto: Reprodução/Panorama Farmacêutico

Pará mantém liderança individual

No Pará, o maior nome é o Grupo Líder: 51ª posição nacional, R$ 5,449 bilhões em vendas, a maior varejista individual do Norte no levantamento.

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Líder é o maior varejista individual do Norte no levantamento | Foto: Divulgação

A companhia combina supermercados, hipermercados, farmácias, lojas de departamento e shopping center, com origem no comércio fluvial que abastecia comunidades ribeirinhas nos rios paraenses antes de ganhar escala urbana em Belém a partir dos anos 1970.

No Ranking ABRAS 2026, voltado ao varejo alimentar, o Líder ocupa a 24ª posição nacional, com R$ 5,448 bilhões em faturamento em 2025.

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Foto: Reprodução/Irene Almeida/Diário do Pará

Formosa e Preço Baixo completam o trio paraense: o Formosa aparece na 59ª posição, com R$ 1,745 bilhão, construído sobre varejo alimentar, magazines e lojas de departamento em Belém e Ananindeua; o Preço Baixo ocupa a 80ª posição, com R$ 1,186 bilhão, com operação mais enxuta voltada ao atacarejo na região metropolitana de Belém.

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Foto: Divulgação/Grupo Preço Baixo

Barreira e custo

Para Serrentino, a logística amazônica opera em duas direções: encarece a operação e, ao mesmo tempo, protege quem já está estabelecido.

“A característica específica do Norte apresenta uma dupla dimensão. Se, por um lado, impõe um custo operacional e logístico substancialmente mais elevado, por outro, estabelece uma relevante barreira de proteção de mercado”, afirma.

Existe uma diferença, segundo ele, entre abrir lojas em uma capital como Manaus e construir presença territorial com capilaridade, penetração de mercado e operação logística preparada para o ambiente. As redes regionais se protegem justamente por dominar fornecedores, prazos, crédito, sortimento, sazonalidade e transporte.

“As redes regionais conseguem se manter competitivas mesmo confrontadas com grandes players nacionais devido à sua presença enraizada, fundamentada em relacionamentos consolidados, forte histórico de concessão de crédito e amplo domínio da logística”, diz Serrentino.

Além de Amazonas e Pará

O padrão se repete em outros estados do Norte, sobretudo no varejo alimentar. No Acre, o Arasuper, registrado como A.C.D.A. Importação e Exportação Ltda., aparece no Ranking ABRAS 2026 na 66ª posição nacional, com R$ 1,612 bilhão.

No Tocantins, o Quartetto Supermercados ocupa a 124ª posição, com R$ 635,8 milhões, com presença em Palmas, Paraíso, Gurupi e Porto Nacional.

No Amapá, o Santa Lúcia (M. A. Silva e Silva Ltda.) está na 154ª posição, com R$ 451,8 milhões, e o Fortaleza (A.R. Filho & Cia. Ltda.) na 188ª, com R$ 357 milhões.

Crescimento orgânico

Serrentino não vê consolidação iminente no varejo, nem no Norte nem no restante do país. O cenário econômico esfriou fusões, aquisições e entrada de fundos.

“Não vislumbramos uma tendência de consolidação do varejo, seja no âmbito regional ou nacional, impulsionada por fusões e aquisições. Pelo contrário, houve uma forte desaceleração nos movimentos, assim como na entrada de fundos de investimento nas empresas”, afirma.

O caminho mais provável é a manutenção do crescimento orgânico, com abertura de lojas e compras pontuais de empresas fragilizadas. No Norte, isso se traduz em redes ampliando densidade nos mercados onde já têm vantagem, em vez de buscar presença nacional.

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Arte: Suellen/PIM Amazônia