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Centro da Indústria vê cenário positivo no Polo Industrial de Manaus, mas alerta para juros e custos logísticos

Setor de duas rodas e informática impulsionam desempenho do Polo Industrial de Manaus

Foto: Arquivo/PIM Amazônia

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) realizou, nesta segunda-feira (21), a 21ª Reunião sobre Análise da Conjuntura Econômica Brasil-Amazonas. O encontro virtual, conduzido pelo presidente executivo da entidade, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, reuniu conselheiros e executivos associados para debater os desafios fiscais do país e os reflexos operacionais no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Durante o evento, especialistas apresentaram um diagnóstico aprofundado que contrapôs as pressões do cenário macroeconômico nacional à resiliência e ao desempenho favorável das fábricas localizadas na Zona Franca.

Juros restritivos e desafios fiscais

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcio Holland, abriu as discussões apontando os riscos associados ao ritmo elevado de crescimento das despesas públicas e à dívida nacional, além do impacto dos preços internacionais do petróleo sobre a atividade econômica.

Para o especialista, o ambiente de juros reais ainda restritivos continua a impor cautela ao setor privado: “A despesa no Brasil vem crescendo a um ritmo real elevado, e a dívida pública já atinge patamares preocupantes, sem perspectiva de superávit primário suficiente para estabilizá-la sem uma consolidação fiscal robusta. Mesmo com o início das reduções na Selic, permanecemos em um campo de juro real bastante restritivo, o que retém a demanda agregada e desacelera o consumo das famílias e os investimentos produtivos”, alertou.

Desempenho e margens no PIM

Na sequência, o professor e coordenador da área de indicadores do CIEAM, André Ricardo Costa, apresentou os dados do primeiro semestre de 2026. Segundo o levantamento, o faturamento do polo registrou alta superior a 20% em dólares, impulsionado pela readequação de preços e pela robustez em segmentos estratégicos, como o setor de duas rodas — que opera próximo da capacidade máxima — e o polo de informática e eletrônicos.

“O cenário do Polo Industrial de Manaus prossegue bastante positivo e auspicioso. Tivemos uma ampliação relevante no faturamento com um aumento de custos que não ocorreu na mesma proporção, elevando a margem de valor agregado. Contudo, é fundamental monitorar de perto as importações e os custos logísticos para mantermos a eficiência e a competitividade até o encerramento do ano”, pontuou André.

A reunião periódica integra a estratégia do CIEAM de monitorar os principais indicadores conjunturais para subsidiar o planejamento estratégico das indústrias e fortalecer a competitividade do parque fabril amazonense.