Pará
Bravo Metals investe na ZPE de Barcarena (PA) para implantar refinaria de metais da transição energética
Empreendimento-âncora verticaliza a cadeia mineral no Pará e prevê operação de refino e fundição a partir de 2028
Foto: Divulgação/Fiepa
A Bravo Metals, subsidiária da Bravo Mining, anunciou o projeto de instalação do primeiro complexo industrial para refinaria e fundição de metais preciosos na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena (PA).
Apresentado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), o empreendimento será a empresa-âncora da ZPE e processará minerais estratégicos como platina, paládio, ródio, níquel e ouro — matérias-primas fundamentais para as tecnologias de descarbonização e transição energética global.
A estrutura industrial será dividida em duas frentes no estado do Pará: a mina e a planta de beneficiamento do Projeto Luanga funcionarão no município de Curionópolis, enquanto a etapa de maior valor agregado — a refinaria e a fundição (smelter) — ocupará uma área de 50 hectares dentro da ZPE de Barcarena, com início de operações previsto para 2028.
Verticalização mineral e economia circular
A escolha por realizar a etapa de refino no Pará busca conter os elevados custos logísticos da exportação de concentrados minerais e proteger a operação da volatilidade dos preços do mercado internacional. Além do ganho em competitividade econômica, o processo produtivo adotado pelo grupo operará sob o conceito de economia circular:
-
Insumos para o agronegócio: A planta terá capacidade para produzir cerca de 120 mil toneladas de ácido sulfúrico por ano, a partir do tratamento de gases de enxofre emitidos na fundição. O volume atenderá diretamente as indústrias de fertilizantes do polo de Barcarena.
-
Aproveitamento de resíduos: A escória gerada na fundição será direcionada ao abastecimento das cadeias cimenteira e do agronegócio paraense.
-
Absorção de mão de obra local: A estimativa é de gerar 500 empregos durante as obras da planta e outros 400 postos de trabalho diretos na fase operacional, com meta de preencher 80% do quadro com trabalhadores paraenses.
Competitividade e atração de novos negócios
Para o presidente do Sistema Fiepa, Alex Carvalho, a chegada do projeto-âncora reforça a agregação de valor ao setor extrativo regional:
“A ZPE de Barcarena é estratégica porque fortalece as vocações produtivas do Pará e cria condições para avançarmos na verticalização da nossa produção. A ZPE abre novas possibilidades para o setor mineral, com projetos capazes de impulsionar uma indústria mais integrada, atrair novos investimentos e gerar mais oportunidades.”
A implantação completa da ZPE de Barcarena pela Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec) prevê o início das obras estruturantes para o primeiro semestre de 2027, cumprindo o cronograma regulatório para a consolidação do distrito exportador paraense.

