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INT desenvolve pesquisas para transformar resíduos da agroindústria em biocombustíveis e novos produtos

Pesquisas do INT reaproveitam caroços de açaí, mandioca e palma para produzir energia, bioplásticos e insumos renováveis

Foto: Magnific

A transformação de passivos agroindustriais em novos ativos econômicos é a aposta do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) para impulsionar a transição energética e a sustentabilidade no país. O órgão vem desenvolvendo estudos para converter sobras da produção agrícola — como caroços de açaí, resíduos de mandioca, palma, cana-de-açúcar, sisal e cascas de frutas — em biocombustíveis, bioenergia e matérias-primas de origem renovável.

A iniciativa visa reaproveitar recursos abundantes nas cadeias produtivas brasileiras, reduzindo o impacto ambiental do descarte e promovendo a bioeconomia circular, especialmente em regiões com forte vocação agrícola e florestal.

Ciência aplicada à biomassa

A tecnologia varia de acordo com a composição de cada tipo de biomassa:

  • Açaí e frutos regionais: Os caroços do açaí, amplamente gerados na Amazônia, vêm sendo estudados para a extração de compostos antioxidantes, açúcares e na formulação de bioplásticos biodegradáveis.

  • Cana-de-açúcar: O bagaço e a palha, ricos em açúcares estruturais, passam por processos de pré-tratamento para liberar moléculas que alimentam microrganismos produtores de gases como hidrogênio e metano.

  • Mandioca e Palma: Os efluentes e resíduos do processamento da mandioca e do óleo de palma estão no centro das pesquisas voltadas ao desenvolvimento de biocombustíveis.

  • Matérias oleaginosas: Biomassas com alta presença de óleos passam por rotas enzimáticas e químicas para a síntese de insumos industriais.

Escalabilidade e mercado

Os projetos do INT transitam desde os primeiros ensaios laboratoriais até testes de escala semi-industrial, etapa essencial para validar a viabilidade técnica e econômica do processamento em grande volume.

Em parceria com universidades, centros de pesquisa e agências de fomento, o instituto busca aproximar a produção científica das demandas do setor produtivo. A expectativa é que as rotas tecnológicas desenvolvidas abram novas frentes de investimento, gerando emprego e renda nas próprias regiões produtoras ao transformar o que antes era descarte em insumo estratégico para a indústria.