Indústria
Secretário da Sedecti defende que ZFM aproveite vigência até 2073 para reduzir dependência fiscal
Em encontro com investidores em Manaus, Fieam apresentou faturamento de US$ 19,3 bi da ZFM e defendeu avanço na bioeconomia
Foto: Divulgação
A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) promoveu, nesta semana, um debate estratégico com empresários, investidores e representantes do setor produtivo para projetar os rumos da indústria amazonense.
Na pauta, a entidade apresentou a Zona Franca de Manaus (ZFM) não apenas como um polo atrator de investimentos, que já acumula faturamento de US$ 19,3 bilhões de janeiro a maio de 2026, mas como um modelo que precisa se reinventar para vencer gargalos históricos de logística e avançar em competitividade.
Na abertura do encontro, o presidente da Fieam, Antonio Silva, reforçou a importância dos incentivos fiscais federais e, sobretudo, do ICMS estadual para atrair plantas fabris para a região. Ele destacou a disposição do setor produtivo local em competir ativamente por novos projetos.

“Nós não vamos perder nenhuma implantação de nenhuma fábrica que queira se instalar aqui no nosso Polo Industrial de Manaus”, assegurou a liderança empresarial.
Transição para a biodiversidade até 2073
O painel organizado pela Fieam trouxe ao centro das discussões a necessidade de aproveitar a garantia constitucional do modelo até 2073 para construir uma nova matriz econômica. Convidado a apresentar o panorama do estado, o secretário da Sedecti, Gustavo Igrejas, alinhou-se à visão da federação ao defender uma transição gradativa que conecte a estrutura fabril existente aos recursos naturais da região.
A proposta debatida busca transformar a imagem da ZFM, superando o estigma de mero polo de montagem para consolidar um hub global de inovação.
“A Zona Franca está garantida até 2073 e eu gostaria muito que até lá a gente tivesse cada vez menos dependência dos incentivos fiscais. O nosso diferencial é a utilização da biodiversidade mais rica do planeta”, destacou Igrejas durante a apresentação.
O debate apontou que, com mais de 132 mil trabalhadores diretos e alto nível de automação, o parque fabril precisa agora diversificar para a agroindústria sustentável, biotecnologia e desenvolvimento de tecnologias próprias.
Logística e a urgência da BR-319
Outro ponto alto do debate promovido pela Fieam foi a análise das limitações infraestruturais que afetam o escoamento da produção do PIM. Representando a diretoria da Fieam e a especialista em transporte Bertolini, Fábio Gobeth apresentou a “nova realidade” dos rios amazônicos, marcados pela alternância severa entre cheias e secas históricas nos últimos 15 anos.
Para a Fieam, a dependência exclusiva do modal hidroviário expõe a indústria a custos extraordinários em períodos de estiagem, tornando indispensável a busca por alternativas terrestres e a execução de obras de dragagem permanentes. A trafegabilidade da BR-319 foi apontada como a principal solução estruturante para conectar o Amazonas ao restante do país.
“A gente reduziria para oito dias o tempo de trânsito [entre Manaus e os grandes centros] e eliminaria a necessidade de colocar carretas em cima de balsas. Essa estrada faria uma diferença brutal para a indústria e o comércio como um todo”, ponderou Gobeth.
Fonte: Fieam
