Bioeconomia
Eneva e Amazônia B levam tecnologia de biogás para rede pública de ensino do Amazonas
Projeto Escolas do Futuro instala biodigestores em dez unidades de ensino para transformar resíduos orgânicos da merenda em energia limpa e fertilizante
Foto: Divulgação/ Projeto Escolas do Futuro - Guardiões da Amazônia
Tecnologias de economia circular e transição energética amplamente consolidadas em países europeus como Holanda, Alemanha e Suécia começam a desembarcar na rede pública de ensino do Amazonas. Na próxima segunda-feira (10), a Escola Estadual Cid Cabral, em Manaus, será o ponto de partida do Projeto Escolas do Futuro – Guardiões da Amazônia, com a instalação do primeiro biodigestor da iniciativa.
Realizado pela Amazônia B e pelo Instituto Ecoleta, com apoio estratégico e financiamento da Eneva, o projeto alcançará dez escolas nos municípios de Manaus, Silves, Itapiranga e Rio Preto da Eva, beneficiando diretamente 5 mil estudantes.
A iniciativa alinha dois pilares centrais para o desenvolvimento sustentável da região: a mitigação do impacto ambiental por meio da tecnologia e a formação de capital humano qualificado nas agendas de bioeconomia, consumo responsável e descarbonização.

Na unidade piloto, a Escola Estadual Cid Cabral – que opera em tempo integral e serve cerca de 750 refeições diárias para 250 alunos -, a estimativa é processar 250 quilos de resíduos orgânicos por mês. O descarte das cozinhas, que antes sobrecarregava a coleta pública de lixo, passa a ser um ativo produtivo direto:
- Biogás (Metano): Capturado no processo anaeróbio e direcionado ao abastecimento dos fogões da própria cozinha escolar.
- Biofertilizante Líquido: Subproduto rico em nutrientes aplicado diretamente nas hortas pedagógicas e áreas verdes das escolas.
- Mitigação Climática: Previsão anual de evitar o envio de 20 toneladas de resíduos aos aterros sanitários, reduzindo a emissão de 8 toneladas de CO2 e até 300 quilos de gás metano.
Os equipamentos adotados (modelo HomeBiogas) operam por meio da decomposição promovida por bactérias anaeróbias em ambiente selado, processando até 10 quilos de resíduos diários por unidade. O sistema exige de 25 a 30 dias para a maturação da microbiota responsável pela digestão antes de iniciar a produção contínua.
ESG, transição energética e inovação pedagógica
A iniciativa reforça a agenda de responsabilidade socioambiental corporativa (ESG) ao aproximar grandes atores do setor de energia do ambiente educacional e das comunidades do interior. Para além da eficiência energética, o biodigestor converte-se em laboratório prático para disciplinas de ciências, química e ecologia.
“Queremos deixar um legado. O projeto aproxima os alunos de soluções da economia de baixo carbono e mostra como tecnologia e sustentabilidade transformam a realidade local. Quando eles vivenciam esse processo na própria escola, o aprendizado deixa de ser apenas teoria”, destaca Bellmond Viga, diretor da Amazônia B.
