Indústria
Chinesas e indianas avançam e já respondem por 17% das motos vendidas no Brasil
Shineray, Mottu, Bajaj, Royal Enfield, Avelloz e Haojue ganham espaço em mercado ainda liderado por Honda e Yamaha
O mercado brasileiro de motos encerrou o primeiro semestre com uma presença cada vez maior de marcas chinesas e indianas. Entre as dez principais fabricantes do país, 16,8% dos emplacamentos vieram de empresas ou modelos com origem nesses dois países, segundo levantamento com base em dados da Fenabrave.
O avanço muda a configuração de um setor historicamente concentrado em poucas marcas. A Honda segue na liderança isolada, com 65% dos emplacamentos no semestre, mas vem perdendo participação ao longo dos anos. Em 2018, a marca japonesa respondia por quase 80% do mercado brasileiro.
A Yamaha aparece na segunda posição, com 13,7% dos emplacamentos. A fabricante também já teve fatia maior em anos recentes, chegando a 17,9 em 2023%.

O principal destaque entre as novas forças do setor é a Shineray. A marca chinesa encerrou o semestre na terceira posição, com 6,2% do mercado. A empresa chama atenção por ser a única entre as dez maiores que não produz na Zona Franca de Manaus, maior polo fabricante de motocicletas da América Latina.

Foto: Shineray
Outra marca que ganhou espaço foi a Mottu. A empresa brasileira, conhecida pela atuação no aluguel de motos para entregadores, chegou ao fim de junho com 4,73% dos emplacamentos. Apesar da origem nacional da operação, os modelos vendidos pela companhia têm base industrial indiana.
Na sequência aparecem a brasileira Avelloz, com 1,6% e produtos de origem chinesa; a indiana Bajaj, com 1,5%; a Royal Enfield, hoje controlada pelo grupo indiano Eicher, com 1,4%; e a chinesa Haojue, com 1,1%.
A inglesa Triumph ocupa a nona posição, com 0,6% do mercado. A marca mantém parceria global com a indiana Bajaj para produção de modelos de menor cilindrada. A alemã BMW fecha o grupo das dez maiores, com 0,5%.

Foto: Bajaj
Juntas, as dez principais marcas responderam por 97 de cada 100 motos emplacadas no Brasil no primeiro semestre.
O avanço de chinesas e indianas não significa, porém, uma ruptura completa com a presença asiática no setor. O mercado brasileiro de motos já é dominado por fabricantes asiáticas há cinco décadas, desde a chegada da Honda ao Polo Industrial de Manaus. A diferença agora está na diversificação da origem das marcas que disputam espaço em segmentos de entrada, baixa cilindrada, aluguel, mobilidade urbana e modelos de nicho.
Para o Polo Industrial de Manaus, o movimento acende um sinal de atenção. O parque local segue concentrando a maior parte da produção nacional de motocicletas, mas a ascensão de marcas com cadeias ligadas à China e à Índia mostra que a disputa por preço, escala e novos formatos de mobilidade ficou mais fragmentada.
