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LG inicia produção de geladeiras no Paraná e mira mercado de 5,5 milhões de unidades por ano

Fábrica de R$ 1,5 bilhão no Paraná é a segunda da sul-coreana em operação no Brasil e marca a nacionalização da linha de refrigeradores

Eletrodomésticos LG | Foto: Pedro Castro/TecMundo

A LG iniciou a produção de geladeiras em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, em uma fábrica que recebeu investimento de R$ 1,5 bilhão e marca a nacionalização da linha de refrigeradores da companhia no Brasil. A primeira unidade produzida em solo brasileiro saiu da linha de montagem no dia 3 de julho, segundo registros feitos por colaboradores da empresa nas redes sociais.

A planta paranaense é a segunda unidade industrial da LG em operação no país. A primeira fica na Zona Franca de Manaus (ZFM), onde a companhia está presente há quase três décadas e fabrica produtos como TVs, ar-condicionado e equipamentos automotivos.

Com a nova fábrica, a sul-coreana passa a disputar de forma mais agressiva um mercado que movimenta mais de 5,5 milhões de geladeiras por ano no Brasil, o equivalente a cerca de 15 mil unidades por dia. Até então, os refrigeradores da marca vendidos no país eram importados.

A unidade de Fazenda Rio Grande começou a ser construída em 2024 e tem foco inicial na produção de geladeiras. A capacidade inicial anunciada é de até 500 mil refrigeradores por ano. A partir de 2027, a empresa também prevê incluir máquinas lava e seca no portfólio da planta.

LG

Unidade da LG em Fazenda Rio Grande | Foto: Reprodução

A estratégia mira principalmente o segmento intermediário de refrigeradores, que concentra a maior parte das vendas no país. Depois de anos mais associada ao mercado premium, a LG busca ampliar presença em modelos duplex e inverse, linha que responde por cerca de 82% das vendas nacionais, segundo dados da própria companhia.

Os produtos fabricados no Paraná serão tropicalizados, ou seja, desenvolvidos para as condições de uso do consumidor brasileiro. A adaptação leva em conta fatores como temperaturas mais altas, frequência de abertura da geladeira e padrões locais de armazenamento de alimentos.

Segundo a LG, os novos modelos terão tecnologias antes concentradas em linhas premium, como conectividade por wi-fi, controle remoto por celular e sistemas de refrigeração mais rápidos e eficientes, mas em faixas de preço mais acessíveis.

A produção nacional também deve permitir redução de custos. Em entrevista à IstoÉ, um executivo da companhia afirmou que a expectativa é baratear os modelos fabricados no país em pelo menos 10%, o que reforça a tentativa da LG de ganhar escala fora do nicho premium.

LG

Foto: LG

A nova fábrica faz parte de uma estratégia mais ampla da LG para acelerar o crescimento no Brasil. A companhia é líder global em faturamento na linha branca, mas disputa participação em volume com concorrentes asiáticos, como a chinesa Haier.

Em 2025, a LG Electronics registrou receita global consolidada de 89,2 trilhões de wons, o maior resultado anual da companhia pelo segundo ano consecutivo. O desempenho foi sustentado por áreas como eletrodomésticos, componentes automotivos, negócios B2B e serviços digitais.

No Brasil, a abertura da planta paranaense amplia a presença industrial da companhia para além da operação histórica de Manaus. A fábrica da Zona Franca segue como base relevante para eletroeletrônicos e climatização, enquanto Fazenda Rio Grande passa a concentrar a aposta da LG em linha branca e na nacionalização das geladeiras.