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Terminal da Atem em Belém vira base de operação inédita de logística fluvial na América do Sul

Manobra levou 16 barcaças em navio de carga pesada e expôs capacidade portuária da Amazônia em projetos de integração regional

O Terminal de Uso Privado (TUP) da Atem, em Belém, foi usado como base de uma operação inédita na navegação sul-americana. A ação, realizada pela primeira vez no final de 2025, envolveu o embarque de 16 barcaças empilhadas transversalmente no navio de carga pesada AAL Hamburg e mostra a capacidade da infraestrutura portuária amazônica em operações de alta complexidade logística. Desde então, o terminal já recebeu cinco manobras desse porte, com envio de 96 barcaças.

As embarcações foram transportadas para integrar a frota fluvial da LHG Logística na Hidrovia Paraguai-Paraná, uma das principais rotas de escoamento de cargas do interior da América do Sul. O projeto conecta áreas produtoras do Centro-Oeste brasileiro ao Uruguai, em uma cadeia voltada ao transporte regional de minério.

A operação no terminal da Atem envolveu o içamento de barcaças de aproximadamente 380 toneladas cada uma, utilizando o método de elevação em tandem, com guindastes de alta precisão. A manobra exigiu planejamento de engenharia naval, coordenação portuária, controle de segurança e acompanhamento ambiental.

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Foto: Divulgação/Atem

A escolha do terminal de Belém coloca a Amazônia em uma posição diferente na logística regional. Além de corredor natural para cargas fluviais, a região passa a aparecer como plataforma para operações industriais e portuárias de maior complexidade, conectadas a cadeias de transporte que ultrapassam as fronteiras brasileiras.

O caso também reforça a importância dos terminais privados na expansão da infraestrutura logística do Norte.
Segundo a Atem, a escolha do terminal levou em conta infraestrutura, localização estratégica e certificações de segurança portuária, incluindo o ISPS-Code, norma internacional voltada à proteção de navios e instalações portuárias.

Operação de alta precisão

A operação mobilizou equipes da Atem Distribuidora e da Navemazônia, braço fluvial do grupo. As equipes atuaram na preparação, posicionamento e movimentação das barcaças, seguindo o cronograma de içamento dos guindastes.

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Foto: Divulgação/Atem

“Acompanhamos a operação todos os dias, para que tudo saísse perfeito. Como as balsas têm convés aberto, até a chuva era uma preocupação, então precisávamos assegurar que estavam em condições ideais para serem içadas. O time da Navemazônia garantiu que as balsas estivessem na posição e na ordem exata para carregamento”, afirmou Ewerton Camurça, chefe da Base Atem em Belém.

A operação contou com apoio e supervisão de órgãos e parceiros como a Capitania dos Portos da Amazônia Oriental, a Receita Federal, consultores navais e engenheiros portuários.

Cone Sul

O transporte das barcaças faz parte de um projeto financiado pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As embarcações serão usadas na Hidrovia Paraguai-Paraná, rota considerada estratégica para a competitividade do transporte de cargas no Cone Sul.

A hidrovia é vista como alternativa logística relevante por reduzir a dependência do modal rodoviário em longas distâncias e ampliar o uso do transporte fluvial em cadeias de grande volume.

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Foto: Divulgação/Atem

“O uso do modal fluvial é parte essencial de uma cadeia mais sustentável e eficiente, e o terminal de Belém reafirma nosso compromisso em operar com segurança, excelência técnica e respeito à Amazônia”, afirma André Silva, diretor de Operações do Grupo Atem.

A operação teve repercussão em veículos especializados internacionais, especialmente no Uruguai e na Argentina, que destacaram o embarque como um marco técnico para a navegação regional.