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Orient fatura R$ 600 milhões no Brasil com operação em Manaus e diz que país é estratégico
Fabricante japonesa bate recorde em 2025, lidera o mercado relojoeiro nacional e reforça papel estratégico da Zona Franca
A fabricante japonesa de relógios Orient superou R$ 600 milhões em faturamento no Brasil em 2025, onde concentra a produção no Polo Industrial de Manaus. O resultado é o melhor de sua trajetória no país, consolidando a liderança no mercado relojoeiro nacional com vantagem de dois dígitos sobre o principal concorrente, conforme destacou a Exame.
O desempenho coincide com um momento de expansão do setor em Manaus: a indústria relojoeira no Polo Industrial cresceu 26% no faturamento no mesmo período, totalizando R$ 1,7 bilhão.
A fábrica de Manaus funciona como plataforma para testes e reforça o papel estratégico do país dentro da operação global da companhia. “O Japão usa o Brasil como uma das suas principais plataformas para novos calibres ou tecnologias”, afirma o diretor de produtos da Orient Brasil, Rodrigo Anzanello.

O crescimento da Orient é atribuído a uma estratégia que combina portfólio diversificado, tecnologia própria e forte presença no varejo. No Brasil, o grupo opera com 12 marcas: Seiko, Grand Seiko, Diesel, Orient, Orient Star, Lince, Oslo, Skagen, X-Watch, Armani Exchange, Emporio Armani e Jaguar, distribuídas em segmentos que vão da alta relojoaria ao mercado de moda. Segundo a empresa, não há canibalização entre as linhas.
“O fato de termos no portfólio marcas globais e marcas com tecnologia própria é responsável por essa liderança no mercado”, diz Anzanello.

Orient opera, no Brasil, com 12 marcas | Foto: PIM Amazônia
Grand Seiko e Orient Star são importadas do Japão. Parte dos relógios Seiko é montada na Zona Franca de Manaus; o restante vem do Japão. A empresa atua exclusivamente no atacado, sem lojas próprias. A distribuição é feita por parceiros, com rede que varia conforme o posicionamento de cada marca.
Os modelos principais da Orient estão disponíveis em cerca de 600 pontos de venda; as peças de entrada chegam a 4 mil.
A operação está segmentada em quatro níveis: alta relojoaria, com Grand Seiko; premium, com Seiko e Orient Star; core business, com Orient; marcas de moda, como Armani Exchange e Emporio Armani; e marcas locais, como Jaguar, Oslo, Lince e X-Watch.
Relógios automáticos
No portfólio, a empresa lidera o segmento de movimentos automáticos, considerado o mais emblemático da relojoaria por preservar a tradição mecânica como diferencial competitivo.
Ao mesmo tempo, avança em inovação com o desenvolvimento de relógios de quartzo autossuficientes em energia, que ampliam a autonomia dos produtos e reduzem a necessidade de manutenção e descarte de baterias.
Para Anzanello, o crescimento da demanda por automáticos reflete uma mudança de comportamento do consumidor.

Empresa lidera no segmento de relógios automáticos | Foto: JK Studio
“Os consumidores contemporâneos buscam produtos que tenham alguma alma ou significado verdadeiro. Os movimentos automáticos são uma tecnologia de quase 200 anos, mas eles são montados à mão e marcam o tempo com precisão e duram décadas, sendo autossuficientes em energia, ou seja, eles são muito interessantes comparados a produtos eletrônicos que são perecíveis em dois ou três anos”, diz Anzanello.
Manaus divide montagem com o Japão
A presença em Manaus traz mais competitividade, segundo Anzanello. Mas não é só isso: a divisão da montagem entre a capital amazonense e o Japão responde também a uma questão estrutural.
“Alguns países, como o próprio Japão, enfrentam algumas situações em termos de mão de obra. Então, dividir a montagem desses produtos ajuda na competitividade da marca aqui e globalmente”, ressalta.
