Comércio
Comércio no Amazonas cresce acima da média
O volume de crescimento é o maior registrado desde 2012
As vendas no comércio do Amazonas cresceram 5,1%, em 2024, acima da média nacional, de 4,7%, o maior crescimento desde 2012. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já em relação ao comércio varejista ampliado, que inclui, as atividades de veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas no Amazonas atingiu 8,3%, no ano passado, mais que o dobro da média nacional, que fechou com alta de 4,1%.
Com o setor sendo responsável por 57,5% da arrecadação de ICMS, as expectativas são otimistas, mas cautelosas, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). No curto prazo, a tendência é de continuidade no crescimento das vendas, impulsionado por maior movimentação econômica, turismo e aumento do consumo local.
Investir em capacitação é essencial para aumentar a produtividade
Em 2024, a economia de Manaus e do Amazonas apresentou crescimento em diversos setores, destacando o Polo Industrial de Manaus (PIM) com faturamento recorde e o comércio com um aumento nas vendas. De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o Amazonas atingiu, no ano passado, o maior volume de importações dos últimos sete anos, totalizando US$ 16.1 bilhões, superando os US$ 12.6 bilhões de 2023, com a manutenção de quase 130 mil postos de trabalho diretos.


O faturamento do PIM também alcançou um recorde de R$ 204,39 bilhões, representando um crescimento de 16,24% em relação ao ano anterior. “A nossa expectativa é que a ZFM continue atraindo novos investimentos, gerando mais empregos e melhorando a arrecadação. Importante registrar que desde 2019 a curva é crescente na aprovação de novos projetos”, destacou Serafim Corrêa, secretário da Sedecti.
Destaque
O setor comercial, especialmente o de alimentação fora do lar, tem sido um dos principais motores de geração de empregos formais em Manaus. Em um estado onde o turismo e o consumo local têm papel central na economia, bares, restaurantes, supermercados e o comércio varejista em geral empregam milhares de trabalhadores.
“A Abrasel, por sua vez, tem promovido parcerias com instituições como o Senac (Serviço Nacional do Comércio), Ifam (Instituto Federal do Amazonas) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio ao Empreendedor) para qualificação contínua da mão de obra, oferecendo cursos de boas práticas, atendimento ao cliente, manipulação de alimentos e gestão de negócios. Investir em capacitação é essencial para aumentar a produtividade e reduzir a rotatividade do setor”, afirma Franco Andrade, presidente da Abrasel no Amazonas.
Na questão de logística, as estiagens severas, como a que ocorreu em 2023-2024, impactam diretamente o abastecimento de insumos, encarecendo o frete e gerando desabastecimento pontual em diversos segmentos, inclusive alimentos perecíveis e bebidas. “A nossa dependência da logística fluvial e a limitada malha rodoviária agravam o cenário. Para o setor de alimentação, isso implica em aumento do custo de produção, impacto no CMV (Custo de Mercadoria Vendida) e, em muitos casos, inviabilidade de promoções ou estabilidade de preços. A Abrasel tem dialogado com autoridades locais e federais buscando incentivos fiscais e planos de contingência para minimizar esses impactos nos períodos críticos”.
Com o setor sendo responsável por grande parte da arrecadação de ICMS, parte desses recursos poderiam estar sendo aplicados para fomentar o comércio local e manter a competitividade.
“Ainda sentimos a necessidade de maior retorno proporcional dos tributos pagos pelo setor. O comércio, especialmente o de serviços, é o maior gerador de ICMS no estado, mas carece de investimentos diretos em infraestrutura, segurança pública, mobilidade urbana e qualificação profissional. A Abrasel tem defendido que parte desses recursos seja direcionada a políticas de incentivo fiscal, modernização da infraestrutura urbana e digitalização dos pequenos negócios, além da desoneração de produtos essenciais ao setor. O retorno adequado do ICMS é essencial para manter a competitividade do comércio local”.
O setor de alimentação fora do lar, o varejo de atacarejo, o comércio eletrônico e os serviços voltados à conveniência (como delivery) têm se destacado, segundo Andrade.
“Em especial, bares e restaurantes que conseguiram se digitalizar e atender novas demandas de consumo cresceram significativamente, inclusive no interior do estado. A alimentação rápida com ticket médio acessível e o setor de bebidas artesanais também apresentaram expansão em faturamento e empregabilidade”.
Considerando os desafios econômicos e as oportunidades de crescimento, as expectativas para o setor comercial em Manaus neste ano de 2025 e nos próximos anos são otimistas, mas cautelosas.
“No curto prazo, a tendência é de continuidade no crescimento das vendas, impulsionado por maior movimentação econômica, turismo e aumento do consumo local. No médio prazo, esperamos maior estabilidade logística e avanços em políticas públicas voltadas ao setor, o que permitirá expansão e formalização de pequenos negócios. No longo prazo, com a consolidação de políticas de incentivo, inovação tecnológica e melhoria na infraestrutura de transporte, o comércio amazonense pode se tornar uma referência em desenvolvimento sustentável na região Norte. A Abrasel está comprometida em ser ponte entre os empreendedores e o poder público, propondo soluções e impulsionando a economia do nosso estado”, conclui Franco Andrade, presidente da Abrasel no Amazonas.
Municípios
Em 2024, dos 62 municípios amazonenses 14 foram exportadores. Manaus concentrou cerca de 87,84% de todas as exportações realizadas no estado. Entre as cidades do interior, Presidente Figueiredo lidera o ranking com exportação de “ferros-ligas” (US$ 105.3 milhões). Itacoatiara aparece em segundo, com a “soja” (US$ 19 milhões); e Iranduba em terceiro, com madeira (US$ 2.5 milhões). Manacapuru exporta mais “peixes congelados” (US$ 2.5 milhões); e Tefé, “cocos, castanha do Brasil e castanha de caju, frescos ou secos, mesmo sem casca ou pelados” (US$ 1.7 milhão).
Na importação, Itacoatiara foi quem mais importou, sendo o principal produto comprado os derivados de petróleo (US$ 125.5 milhões). Silves, que explora gás natural e que vai abrigar usinas termelétricas, comprou mais “grupos eletrogêneos e conversores rotativos, elétricos” (US$ 63.7 milhões). Coari importou US$ 7.9 milhões em “turborreatores, turbopropulsores e outras turbinas a gás”; Iranduba US$ 2.1 milhões com “chapas e tiras de alumínio, de espessura superior a 0,2 mm; e Nova Olinda do Norte, US$ 3.3 milhões com aeronaves.
Arrecadação
A arrecadação tributária no Amazonas em 2024 atingiu R$ 18,3 bilhões, de acordo com a Secretaria de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz/AM), acumulados entre impostos e taxas. Esse valor indica um crescimento na atividade econômica superior ao ano anterior, cujo valor foi de R$ 16,4 bilhões. A estiagem vivida em 2024, mais severa que a de 2023, não impediu um aumento considerável na arrecadação do Estado, muito graças às ações tomadas pelo governo no sentido de reduzir os impactos sobre a navegação.

O volume da arrecadação, no comparativo com o ano anterior, apresentou alta de 11,8 %. O ICMS respondeu em 2024 por 84,2% do volume arrecadado em impostos, atingindo R$ 15,6 bilhões. A arrecadação de ICMS da Indústria em 2024 chegou aos R$ 6,6 bilhões, enquanto em 2023 o valor arrecadado foi de R$ 5,4 bilhões, o que representa um aumento de 20,7%. O Comércio saiu de R$ 7,5 bilhões em 2023 para os R$ 7,6 bilhões em 2024, um aumento de apenas 2%, de acordo com o Relatório de Avaliação do Plano Plurianual 2024/2027.
A previsão climática para 2025, de acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), indica que o primeiro trimestre será marcado por chuvas mais intensas em algumas regiões da Amazônia Legal, como Amapá e norte do Pará. O setor de comércio, que é o principal gerador de empregos e arrecadação no Amazonas, é particularmente vulnerável a essas características climáticas (estiagem e cheia severas). Embora o comércio esteja intimamente ligado à atividade industrial da ZFM, ele também depende da estabilidade climática para garantir a fluidez das operações logísticas, fundamentais para a entrega de mercadorias. “Diante deste cenário, a Fecomércio-AM reforça a importância de um planejamento antecipado, não apenas como forma de mitigar os danos causados pela estimativa, mas também para garantir a estabilidade dos negócios. Planejar agora é o melhor caminho para reduzir riscos e proteger seu negócio”, alertou Aderson Frota, presidente da Fecomércio-AM.
Restrição de crédito
Os desafios enfrentados pelo comércio local, especialmente no que diz respeito às restrições de crédito, têm impactado negativamente o setor. De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), Ralph Assayag, existe a preocupação crescente com o aumento da inadimplência, que desencadeia um ciclo prejudicial ao comércio. “A diminuição na confiança do sistema financeiro reduz a oferta de crédito, afetando as vendas e agravando o desemprego. Mas, nós temos propostas que incluem o fortalecimento da segurança jurídica e a criação de um ambiente econômico mais estável, visando reverter esses efeitos”, garante.
