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Protagonismo feminino cresce na Amazônia Legal

Presença de mulheres tem crescido no mercado de trabalho, mas desafios ainda são grandes para garantir maior equidade

Nos nove estados que compõem a Amazônia Legal, o Pará é o que mais emprega mulheres, com total de 567.238, e salário médio de R$ 3.387,97.

O setor de serviços é o que mais emprega trabalhadores do sexo feminino e também é o que registra a maior remuneração em reais, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao ano de 2023.

Os estados que compõem a Amazônia Legal são: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.

O estado do Pará lidera a lista com 416.688 mulheres trabalhando no setor de serviços, com salário médio de R$ 3.844,06, seguido por Maranhão, com 333.895 e salário de R$ 3.504,56; Mato Grosso, com 313.761 e salário de R$ 3.941,08.

O Estado do Amazonas aparece em quarto lugar na tabela do instituto, com 241.648, e salário de R$ 4.192,26, o maior salário em relação aos demais analisados.

De acordo com o presidente Executivo da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Pará (ABRH-PA), Junior Lopes, no estado do Pará, a presença feminina no mercado de trabalho reflete avanços importantes nos últimos anos.

O dirigente da entidade reconhece que ainda há muitos desafios a serem enfrentados para garantir maior equidade e valorização profissional da mulher.

“Como presidente da ABRH-PA, vejo a necessidade de fortalecer políticas que incentivem a ascensão das mulheres em diferentes setores da economia, especialmente em áreas de maior valor agregado e cargos de liderança. A qualificação profissional e o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais são fundamentais para ampliar essas oportunidades, e é papel das organizações e instituições de Recursos Humanos promover esse avanço”, aponta o dirigente da ABRH-PA.

Além disso, Junior Lopes avalia ser essencial que empresas e gestores adotem estratégias que reduzam as desigualdades estruturais e garantam um ambiente de trabalho mais inclusivo.

Segundo o dirigente, essa melhoria passa por ações como a implementação de políticas de equidade salarial,

Programas de mentoria para mulheres e a adaptação das condições de trabalho para maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

“A ABRH-PA segue comprometida em fomentar essas discussões e apoiar iniciativas que impulsionem a presença feminina em posições estratégicas, contribuindo para um mercado de trabalho mais justo e competitivo no estado paraense”, conclui.

Mulheres Versus Homens

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística do Amazonas (IBGE-AM) mostra performance da mulher no mercado de trabalho em 2024 nos estados que compõem a Amazônia Legal.

O coordenador de disseminação de informações do IBGE, Adjalma Nogueira, informa que, no 4º trimestre do ano passado, a taxa de desocupação na Amazônia Legal apresentou variações significativas entre os estados: Rondônia destacou-se com a menor taxa de desocupação masculina (1,7%), contrastando com a feminina (4,5%), indicando disparidade de gênero; no Acre, as taxas foram mais equilibradas, com 7,2% para homens e 7,4% para mulheres;

O Estado do Amazonas registrou a maior taxa de desocupação feminina (11,9%), enquanto a masculina foi de 5,8%.

Roraima seguiu a tendência de disparidade, com 5,6% para homens e 8,0% para mulheres.

No Pará, a taxa feminina foi de 8,5% e a masculina de 6,3%.

O Amapá manteve alta desocupação feminina (9,8%) e 7,9% para homens.

Tocantins teve 6,6% de desocupação feminina e 4,0% masculina.

Maranhão registrou 7,8% para mulheres e 6,2% para homens.

Mato Grosso apresentou as menores taxas da região, com 3,6% para mulheres e 1,6% para homens, evidenciando um cenário mais favorável para as mulheres nesse estado.

Estudo Amazônia 2030

O setor de serviços é o que mais emprega mulheres na Amazônia, conforme aponta um estudo do Amazônia 2030.

Segundo o estudo, as mulheres na Amazônia Legal enfrentam inúmeros obstáculos no mercado de trabalho da região e que essas dificuldades são ainda maiores do que as observadas no resto do país.

As mulheres têm menos emprego, participam menos do mercado de trabalho e têm maiores probabilidades de estarem desempregadas e de terem um emprego sem carteira assinada.

Os rendimentos por hora são semelhantes entre homens e mulheres na Amazônia Legal, mas as mulheres são muito mais escolarizadas na região.

As comparações adequadas de rendimentos mostram que as mulheres recebem cerca de 20% menos do que os homens quando se comparam pessoas com a mesma escolaridade, idade e tipo de local de domicílio.

Ainda, de acordo com o estudo Amazônia 2030, a desigualdade por gênero no mercado de trabalho da região reflete, primordialmente, uma maior dificuldade de inserção produtiva das mulheres, que têm relativamente menos oportunidades de empregos de qualidade em relação aos homens comparativamente ao que acontece no resto do país.

Destaques do estudo:

Uma parcela relevante dos homens está alocada na agropecuária e no setor de construção.

As mulheres são bem mais escolarizadas do que os homens.

Cerca de 60% das mulheres que compõem a força de trabalho têm ensino médio completo ou mais.

Há uma proporção muito maior de mulheres que de homens trabalhando no setor público.

A informalidade afeta um grande número de mulheres, que frequentemente se encontram em subempregos, com jornadas reduzidas e baixos salários.

Muitas enfrentam condições de trabalho e renda precárias, sem proteção legal ou perspectivas de aposentadoria.

EMPREENDEDORISMO FEMININO

Historicamene, as mulheres enfrentam muito mais barreiras do que os homens quando o assunto é conciliar o trabalho com as responsabilidades domésticas.

Além da luta por inserção e valorização no mercado profissional, muitas mulheres carregam, de forma quase exclusiva, o cuidado com a casa, os filhos e familiares.

“Essa sobrecarga é reflexo direto de uma estrutura patriarcal que ainda predomina em nossa sociedade e que limita o avanço de mudanças mais profundas para o sexo feminino”, comenta a jornalista, escritora e empreendedora Cristina Monte.

Segundo a especialista em empreendedorismo, superar essa desigualdade de base é essencial para que o empreendedorismo feminino ganhe força na Amazônia Legal.

Cristina Monte aponta como caminho, para garantir que as mulheres tenham acesso equitativo a oportunidades, uma mudança estrutural, que envolva não apenas políticas públicas, mas também transformações culturais e sociais.

Nesse contexto, o estímulo ao empreendedorismo feminino pode ser um vetor estratégico.

Para isso, é fundamental facilitar o acesso a linhas de crédito e programas de financiamento específicos para mulheres empreendedoras; expandir a oferta de creches e escolas públicas de qualidade, o que libera tempo para que as mães possam se dedicar aos seus negócios; valorizar as competências femininas em programas de capacitação e liderança, reconhecendo o olhar mais holístico e sensível que muitas mulheres trazem à gestão e à tomada de decisão; estimular redes de apoio e mentorias voltadas ao fortalecimento de negócios liderados por mulheres.

Cristina Monte avalia que, quando a sociedade reconhece a potência do empreendedorismo feminino e cria condições reais para que ele floresça, todos ganham: a mulher, sua família, sua comunidade e a economia regional.

“A Amazônia, com sua diversidade e riqueza cultural, tem tudo para ser referência também nessa transformação da mulher em sua essência”, ressalta Cristina Monte.