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MPF reforça pedido à Justiça para plano urgente contra pistas clandestinas na Amazônia

Órgão aponta mais de mil estruturas ligadas ao garimpo ilegal e falhas na fiscalização fora de Roraima

O Ministério Público Federal (MPF) reiterou à Justiça o pedido para que seja determinada, em caráter de urgência, a elaboração de um Plano de Ação e Fiscalização voltado ao controle de pistas de pouso clandestinas utilizadas pelo garimpo ilegal na Amazônia.

Pista de pouso clandestina Foto Bruno Mancinelle Casa de Governo

Anac mapeou 1,2 mil pistas clandestinas na região. Foto: Bruno Mancinelle-Casa de Governo

A solicitação foi reforçada em manifestação apresentada nesta quarta-feira (18) à 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária. Segundo o MPF, foram identificadas mais de mil pistas irregulares na região, com base em dados atualizados apresentados durante o andamento da ação.

O pedido já havia sido feito em setembro de 2025, quando o órgão ajuizou ação civil pública para identificar, interditar e inutilizar aeródromos clandestinos na Amazônia Ocidental. A ação envolve a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Ibama, o ICMBio, a União, o Ipaam, a Femarh e o Estado de Rondônia.

Na nova manifestação, o MPF afirma que os órgãos envolvidos não conseguiram contestar os dados levantados no inquérito civil e que informações recentes indicam agravamento do problema. Dados do Censipam apontaram 844 aeródromos irregulares na Amazônia Ocidental, com crescimento de 12,68% em um ano. Já a Anac informou ter mapeado mais de 1.200 pistas clandestinas em toda a Amazônia.

Fiscalização em Roraima

O órgão também destacou que as ações de fiscalização estão concentradas em Roraima, especialmente na Terra Indígena Yanomami, enquanto estados como Amazonas, Acre e Rondônia apresentam baixa cobertura.

Segundo dados apresentados, a Aeronáutica realizou, entre 2022 e 2024, 156 operações de policiamento do espaço aéreo, todas em Roraima. No mesmo período, a Anac instaurou 94 processos sancionatórios na Amazônia Ocidental, sendo 74 no estado, o equivalente a 78,7% do total.

O Ibama informou que suas operações voltadas ao combate de aeródromos clandestinos ocorreram no entorno das terras indígenas Yanomami e Munduruku. O órgão chegou a afirmar que o uso do transporte aéreo pelo garimpo no Amazonas e em Rondônia seria reduzido, avaliação que, segundo o MPF, é contrariada por dados oficiais e investigações em curso.

A manifestação também aponta atuação limitada dos órgãos ambientais estaduais. A Femarh não registrou autos de infração relacionados ao tema entre 2022 e 2024. No Amazonas, o Ipaam instaurou dois processos sancionatórios no período, ambos contra a mesma pessoa. Em Rondônia, houve um único auto de infração, enquanto a polícia ambiental informou não ter registros de fiscalização relacionados ao tema.

O MPF ainda apontou sobreposição de competências e transferência de responsabilidades entre os órgãos. A Anac sustenta não ter atribuição para inutilizar pistas, enquanto Ibama e ICMBio alegam falta de meios operacionais. Já os órgãos estaduais condicionam sua atuação ao apoio federal.

Segundo o órgão, há também divergência na atuação do Ibama, que em ação anterior defendeu a inutilização das pistas como medida necessária e, no processo atual, considera a medida inviável.

O MPF afirma que mantém disposição para uma solução consensual, desde que os órgãos apresentem propostas com definição de responsabilidades, metas e prazos compatíveis com a urgência do problema.