Economia
Governo critica corte de juros menor que o esperado pelo Banco Central
Presidente cobra redução maior da Selic após decisão do Copom de baixar taxa para 14,75% ao ano
Presidente Lula critica decisão do Banco Central sobre corte da taxa básica de juros durante evento em São Paulo |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, nesta quinta-feira (19/3), o corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros promovido pelo Banco Central do Brasil. A decisão foi tomada na véspera pelo Comitê de Política Monetária, que reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano.
Em evento em São Paulo, o presidente afirmou que esperava uma redução maior, de 0,5 ponto percentual, e questionou a justificativa relacionada ao conflito no Oriente Médio. “Estou triste, porque eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro pelo menos em 0,5%. E baixou só em 0,25, dizendo que é por causa da guerra”, disse.
A redução da Selic foi a primeira em quase dois anos e já era esperada pelo mercado financeiro, embora parte dos analistas projetasse um corte mais intenso. Antes da escalada das tensões internacionais, a expectativa predominante era de uma redução maior.
A taxa básica de juros estava no maior nível desde 2006 e vinha de um ciclo de alta iniciado em 2024. Segundo o Banco Central, a decisão mais cautelosa reflete o aumento das incertezas externas, especialmente com os impactos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e a economia global.
O Copom indicou ainda que poderá rever o ritmo de queda dos juros nas próximas reuniões, dependendo do cenário econômico.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e o nível de atividade econômica.
Dados recentes mostram que a inflação oficial, medida pelo IPCA, ficou em 0,7% em fevereiro, enquanto o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%. Ainda assim, projeções do mercado indicam alta nas expectativas inflacionárias para 2026, em meio às incertezas externas.
