MENU
Buscar

Manaus bilionária convive com saneamento precário e está entre as piores do País

Esgoto limitado, perdas elevadas e baixo investimento mantêm cidade entre as piores

Foto: Clóvis Miranda / Semcom

Com um polo industrial bilionário, Manaus ainda convive com indicadores típicos de infraestrutura precária. A capital está entre os 20 piores municípios do País em saneamento básico, com menos de um terço da população atendida por rede de esgoto e investimento abaixo do necessário para universalização até 2033.

Os dados constam no Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com base em informações do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024.

O desempenho coloca a capital amazonense no grupo com os piores indicadores do País, um descompasso entre a força econômica local sustentada pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) e a oferta de serviços básicos à população.

Em 2025, o PIM fechou o ano com um recorde de R$ 227 bilhões de faturamento, um resultado 11% maior que o registrado no ano de 2024.

Esgoto expõe principal gargalo

Apesar da relevância econômica, Manaus ainda apresenta déficit expressivo na coleta e no tratamento de esgoto. Apenas 32,35% da população conta com coleta, enquanto o tratamento atinge 22,78%.

Nos municípios mais bem colocados do ranking, a média é de 98,08% de cobertura de coleta e cerca de 77% de tratamento, ou seja, uma diferença superior a 60 pontos percentuais.

Na prática, isso significa que mais de dois terços da população vivem sem acesso adequado à rede de esgoto, um dos principais indicadores de desigualdade urbana.

Água chega, mas não totalmente

4457f492 5c65 44fa bc10 8a48a0987138

Foto: Divulgação/Águas de Manaus

O abastecimento de água apresenta cobertura mais ampla. Em Manaus, 97,13% da população tem acesso à água tratada, índice próximo da universalização.

Ainda assim, a eficiência do sistema é um ponto crítico. As perdas na distribuição chegam a 45,25%, indicando que quase metade da água tratada não chega ao consumidor final.

O levantamento do Instituto Trata Brasil também revela que, entre 2020 e 2024, Manaus registrou R$ 1,403 bilhão em investimentos em saneamento, o equivalente a R$ 123,15 por habitante.

O valor está abaixo do patamar considerado necessário para a universalização dos serviços até 2033, prevista no novo marco legal do saneamento, que é de R$ 225 por habitante.

Com o prazo se aproximando, os dados indicam que Manaus ainda está fora da trajetória necessária para atingir esse objetivo.

Desigualdade regional se repete

ESGOTO CENTRO scaled 1

Foto: Divulgação/Águas de Manaus

O ranking mostra que os piores desempenhos se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Manaus aparece ao lado de capitais como Belém, São Luís e Porto Velho, reforçando um padrão de desigualdade histórica no acesso ao saneamento.

Nesse contexto, o desempenho da capital amazonense não é um caso isolado, mas parte de um cenário estrutural que combina limitações de investimento, desafios logísticos e histórico de baixa cobertura de serviços.