Indústria
Conflitos geopolíticos elevam incerteza, mas indústria de Manaus projeta ciclo de crescimento, diz Cieam
Escalada de tensões no Oriente Médio pressiona petróleo e amplia instabilidade nos mercados, mas indicadores regionais sustentam expectativa positiva para o Polo Industrial
Polo Industrial de Manaus (PIM) |
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) avaliou que a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio elevou o grau de incerteza na economia global, mas que os indicadores regionais ainda sustentam expectativas positivas para a indústria instalada em Manaus. A análise foi divulgada pela entidade em suas redes sociais após a 15ª Reunião de Análise da Conjuntura Econômica Nacional e Regional, realizada nesta terça-feira (10/3).
Segundo o Cieam, o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã alterou rapidamente o cenário econômico internacional nas primeiras semanas de 2026. A tensão geopolítica elevou o preço do petróleo e ampliou a instabilidade nos mercados.
O barril do petróleo Brent, que vinha sendo negociado entre US$ 67 e US$ 68, chegou a US$ 120 em contratos futuros. A alta pressiona custos logísticos e aumenta a cautela dos investidores. O índice VIX, conhecido como o “índice do medo”, também reagiu à deterioração do ambiente internacional.
Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Márcio Holland, o movimento reflete o aumento da imprevisibilidade na economia global neste início de ano.
No Brasil, os reflexos aparecem principalmente nas expectativas de crescimento e na curva de juros. No Amazonas, os impactos se manifestam na dinâmica industrial, com um descasamento pontual entre produção e vendas que levou à elevação de estoques em alguns segmentos do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Mesmo com o ambiente externo mais instável, os indicadores regionais apontam resiliência da indústria instalada no Estado. Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), analisados pelo Cieam, mostram que o PIM encerrou 2025 com faturamento nominal recorde de R$ 228 bilhões — o maior da série histórica.
Em dólares, o resultado se aproximou de US$ 41 bilhões, patamar registrado pela última vez em 2011.
Para o professor André Ricardo Costa, coordenador da área de Indicadores do Cieam, a disponibilidade de dados regionais permite uma leitura mais precisa do desempenho da indústria amazonense. Segundo ele, indicadores de confiança, importações e produção sustentam expectativas positivas para o próximo ciclo da indústria.
Em meio a um cenário global mais incerto, o Polo Industrial de Manaus inicia 2026 combinando dois fatores pouco usuais: aumento das tensões externas e fundamentos regionais considerados sólidos.
