Bioeconomia
Plástico com fibra amazônica coloca empresa de Manaus entre finalistas de prêmio nacional de inovação
Tutiplast desenvolve compósito com fibra de ouriço da castanha-da-Amazônia para uso em materiais destinados a segmentos como o automotivo, eletroeletrônico e de embalagens
A empresa amazonense Tutiplast Indústria e Comércio, especializada na fabricação de peças plásticas por injeção, recebeu, nesta sexta-feira (6), duas indicações para a 9ª edição do Prêmio Nacional de Inovação, iniciativa que integra a Mobilização Empresarial pela Inovação, movimento liderado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Na categoria “Descarbonização”, a companhia concorre como Grande Empresa. Já na categoria “Pesquisador Empreendedor”, a indicação destaca o gerente de novos negócios da empresa, Fabio Calderaro. As indicações estão relacionadas ao projeto desenvolvido pela empresa para integrar a indústria de plásticos à bioeconomia amazônica.
Os vencedores serão anunciados no 11º Congresso de Inovação da Indústria, que deve acontecer em 26 de março, no WTC em São Paulo.
As indicações chegam após a Tutiplast passar a desenvolver compósitos utilizando fibra de ouriço da castanha-da-Amazônia, estrutura geralmente descartada na atividade extrativista, para uso em materiais destinados a segmentos como o automotivo, eletroeletrônico e de embalagens, reduzindo o uso de insumos derivados de petróleo e as emissões associadas ao processo produtivo.

Fabio Calderaro, gerente de novos negócios da Tutiplast
Além disso, há mais tempo, a companhia realiza o aproveitamento do curauá, planta nativa da região com elevada resistência mecânica, que deve ser utilizada na produção de manta agulhada e tecidos técnicos para processos de termoprensagem empregados na indústria automotiva.
A matéria-prima é cultivada por agricultores familiares da comunidade de Novo Remanso, distrito de Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus. Atualmente, mais de 70 famílias participam da cadeia de produção, que envolve etapas como cultivo, coleta, tratamento e envio da fibra para aplicação industrial.
O projeto também envolve avanços técnicos, como melhoramento genético das mudas, organização do sistema de cultivo, padronização da qualidade da fibra e desenvolvimento de soluções logísticas para o transporte em áreas rurais da Amazônia.
“A Tutiplast vive agora um processo de transição ecológica. Sabemos que os nossos clientes possuem metas de descarbonização na Agenda 2030 e no programa GHG, e eles têm que melhorar seus relatórios. Então, a gente quer ser uma boa opção de fornecimento para os nossos clientes”, diz o indicado Fabio Calderaro.
A iniciativa busca consolidar uma cadeia produtiva baseada em insumos da floresta, ao mesmo tempo em que gera renda adicional para comunidades rurais e amplia o uso de matérias-primas renováveis na indústria.

Tutiplast possui certificação BV ESG 360, que confirma comprometimento com práticas ESG
“O setor termoplástico tem poder de encadeamento produtivo com a cadeia de fornecimento, induzindo mais atividades para além da região metropolitana. Quando você gera emprego e renda para atividades sustentáveis no interior, você gera alto custo de oportunidade para atividades predatórias [de alto impacto ambiental]. Então, o homem do interior não precisa ir para atividades como garimpo ou extração ilegal de madeira. E ele se fixa ali no território; ele não precisa sair dali para procurar emprego em outro lugar”, ressalta Calderaro.
Importante destacar também que a companhia adquiriu certificação BV ESG 360, uma solução do Bureau Veritas Brazil, que confirma o comprometimento das empresas com princípios ambientais, sociais e de governança.
Premiação reconhece a inovação empresarial
O Prêmio Nacional de Inovação contempla sete categorias voltadas a diferentes frentes estratégicas do desenvolvimento tecnológico e empresarial no país. Entre elas estão descarbonização, uso de recursos renováveis, digitalização de negócios e aplicações de inteligência artificial voltadas ao aumento da produtividade.
A premiação também reconhece iniciativas relacionadas à Lei do Bem, mecanismo federal brasileiro que concede incentivos fiscais a empresas que investem em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica (PD&I); além de projetos ligados a ecossistemas de inovação e à atuação de pesquisadores empreendedores, com divisões específicas para empresas de pequeno, médio e grande porte.

A iniciativa é realizada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e conta conta com a participação do Serviço Social da Indústria (Sesi), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O objetivo da premiação é dar visibilidade a soluções inovadoras capazes de ampliar a competitividade das empresas, estimular ganhos de produtividade e contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
