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Conflito no Oriente Médio eleva fretes e acende alerta de inflação global no petróleo

Custo de transporte dobra, chega a US$ 12 por barril e já representa quase 16% do preço do Brent; Brasil monitora impactos em fertilizantes, petroquímicos e câmbio

O cenário remete à logística marítima internacional, com foco no transporte de mercadorias em larga escala | Divulgação

O agravamento do conflito no Oriente Médio começa a produzir efeitos mais amplos sobre o mercado global de energia. Além da alta do barril, o frete marítimo disparou nos últimos dias, ampliando os riscos de inflação prolongada no petróleo e em seus derivados.

Segundo a consultoria Argus, o custo para contratar um navio do Oriente Médio para o Leste Asiático chegou a US$ 12,26 por barril — o dobro do registrado antes da escalada militar, que já era o maior patamar em seis anos. O valor pago por um petroleiro de grande porte (VLCC) agora representa quase 16% do preço do petróleo. Historicamente, essa fatia varia entre 2,5% e 3,5%.

Dadas as negociações globais da commodity, os efeitos tendem a se espalhar rapidamente, como ocorreu após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando os custos logísticos também pressionaram os preços internacionais.

Brasil no radar

Petroleo

A imagem mostra um navio porta contêineres em mar aberto, carregado com dezenas de contêineres coloridos empilhados de forma organizada no convés

No Brasil, fertilizantes, petroquímicos básicos e o câmbio estão entre os principais pontos de atenção, segundo a Abiquim. O aumento do frete se soma à valorização do barril e reforça o risco inflacionário.

Na terça-feira (3/3), o Brent para maio avançou 4,7% (US$ 3,66), fechando a US$ 81,40 o barril.

O CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou que a alta no frete pode afetar a comercialização do petróleo brasileiro, mas ponderou que ainda é cedo para estimar os impactos totais da crise.

“O custo de transporte do país subiu substancialmente. Essa é uma outra variável que tem que ser levada em consideração por compradores e vendedores de petróleo”, disse o executivo, no Rio de Janeiro.

Apesar do cenário desafiador, ele avalia que o Brasil e a América Latina podem atrair, no longo prazo, parte dos investimentos redirecionados pela instabilidade geopolítica.

Estreito de Ormuz no centro da tensão

As preocupações se concentram na capacidade de manutenção da produção nos países envolvidos no conflito, muitos deles entre os maiores produtores globais. Relatos da imprensa internacional indicam que o Iraque pode interromper a extração diante das dificuldades de escoamento com o bloqueio no Estreito de Ormuz.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que a Marinha norte-americana pode escoltar navios-tanque na região. Ainda não há detalhes sobre a implementação do plano.

O receio de inflação já começa a aparecer também na economia americana, especialmente diante da escalada dos combustíveis e do gás natural, que registra forte alta na Europa.

No mercado de gás, especialistas discutem os efeitos da crise sobre oferta, preços e contratos internacionais. A volatilidade reforça o ambiente de incerteza, em um contexto já pressionado por rearranjos logísticos e riscos de interrupções.

Outros movimentos no setor

Foz do Amazonas: A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autuou a Petrobras por falhas na verificação das bombas de combate a incêndio da sonda ODN II. A multa pode variar de R$ 5 mil a R$ 2 milhões, e a estatal tem 15 dias para apresentar defesa.

Pré-sal: A Petrobras e parceiros do campo de Mero investirão R$ 151 milhões no projeto Libra Rocks, voltado ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras e modelos geológicos conceituais no pré-sal da Bacia de Santos, incluindo o uso de inteligência artificial para automatizar o processamento de dados geológicos.

Novas licenças: A Prio recebeu do Ibama licença de operação para o campo de Wahoo, na Bacia de Campos, etapa final antes do início da produção. O projeto prevê a conexão ao campo de Frade por meio de um tieback.

Transição energética: A crise financeira na Raízen foi atribuída, em parte, à desaceleração da transição energética no pós-pandemia, combinada à conjuntura adversa de etanol e açúcar e à elevação dos juros. A Shell se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões na capitalização da companhia, enquanto a Cosan avalia sua posição.

China e emissões: A China deve anunciar o 15º Plano Quinquenal (2026–2030), documento que orientará a estratégia da segunda maior economia do mundo rumo ao pico de emissões até 2030, meta estabelecida pelo presidente Xi Jinping.