O primeiro dia de negociações no mercado de petróleo após os ataques entre Estados Unidos, Irã e Israel confirmou a tendência de forte alta nos preços. Ao longo da segunda-feira (2/3), o barril acumulou valorização próxima de 10%.
O Brent para maio encerrou o dia cotado a US$ 77,74, avanço de 6,68% (US$ 4,80). Durante o pregão, a cotação chegou a superar os US$ 82 por barril, maior nível desde janeiro de 2025. A escalada refletiu o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio —, o envolvimento de novos atores no conflito e declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, indicando que a ofensiva pode se prolongar por “quatro a cinco semanas”, sem descartar incursões terrestres no Irã.
Também foram registrados ataques a infraestruturas energéticas na região, como a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, e uma usina elétrica no Catar, um dos maiores produtores globais de gás natural liquefeito (GNL). O avanço da guerra e o aumento das incertezas apontam para impactos mais duradouros sobre os preços internacionais e reflexos nos combustíveis.
Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, prometeu anunciar medidas para mitigar os efeitos da alta da energia. No Brasil, cresce a atenção sobre a política de preços da Petrobras. A estatal tem evitado repassar volatilidades externas, mas enfrenta defasagens relevantes, especialmente no diesel, sem reajustes desde maio de 2025.

A imagem destaca a textura espessa do óleo e detalhes enferrujados da tubulação, simbolizando extração e infraestrutura da indústria petrolífera
Na abertura do mercado, a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) apontava que o diesel da Petrobras estava 23% abaixo das cotações internacionais, indicando potencial reajuste de R$ 0,73 por litro. Na gasolina, a defasagem era de 17%, equivalente a R$ 0,42 por litro. A companhia afirmou que não há risco imediato de interrupção em importações e exportações e que dispõe de rotas alternativas.
O cenário amplia preocupações inflacionárias em um ano eleitoral. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, avalia que não haverá pressão relevante se o barril permanecer entre US$ 75 e US$ 85. Analistas, porém, alertam que as cotações podem superar esse intervalo caso haja danos prolongados à infraestrutura e à logística de óleo e gás.
O mercado global de gás também começa a sentir os efeitos da crise. Além da energia, há potenciais impactos sobre alimentos, diante do aumento nos custos de frete e fertilizantes — embora a retomada das fábricas da Petrobras no Nordeste atenue parte do risco interno.
Em paralelo, a escalada no Oriente Médio reacende o debate sobre transição energética e segurança do abastecimento, justamente quando a presidência da COP30 discute caminhos para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.