Perfil Empresarial
Nascida em Manaus, empresa de tecnologia para pagamentos inicia expansão internacional e lança nova plataforma
Zire, novo ecossistema de pagamentos, marca reposicionamento global da Transire, que já planeja expansão para Argentina, México, Portugal e Estados Unidos
Fundada há um pouco mais de 10 anos no Polo Industrial de Manaus, a empresa Transire, maior fabricante brasileira de hardware para pagamentos, decidiu virar a chave. A companhia anunciou que está pronta para dar um passo maior: crescer fora do Brasil e se posicionar como uma plataforma global.
A novidade veio à tona durante o Transire Day, evento realizado no último dia 28, no WTC São Paulo. Durante dois dias, o encontro reuniu executivos, especialistas e líderes do mercado financeiro e de pagamentos. Foi ali que a empresa deixou claro qual será o seu próximo movimento: América Latina e Europa entram oficialmente no radar.
Na ocasião, a empresa também apresentou ao mercado a Zire, uma nova plataforma que reúne soluções completas e meios de pagamento em um único ecossistema. Na prática, a empresa deixa de ser vista apenas como fabricante de equipamentos, como maquininhas, e passa a atuar como fornecedora integrada de hardware, software e serviços.
O que é a Transire hoje
Em operação desde 2015, a companhia construiu uma base industrial robusta: opera a maior fábrica de maquininhas do mundo fora da China e já colocou mais de 48 milhões de terminais de pagamento em circulação. Esse volume não apenas deu escala ao negócio, como abriu caminho para uma transformação mais ampla do modelo da empresa.

“Esse momento não acontece por acaso. Ele é resultado de uma trajetória baseada em crescimento sustentável, escala industrial e um entendimento muito profundo do mercado brasileiro”, comentou Gilberto Novaes, fundador do Grupo Transire.
Segundo ele, a empresa teve um papel importante na inclusão financeira e na modernização dos pagamentos no país, e agora quer levar essa experiência para outros mercados, com uma visão de longo prazo.
A Transire fabrica aproximadamente 4 milhões de maquininhas por ano, o que equivale a algo em torno de 350 mil dispositivos por mês. Esse volume ajudou a empresa a fechar o último exercício com faturamento em cerca de R$ 2 bilhões.
Por onde a estratégia começa
A estratégia da Transire já começa com um ponto bem definido. À Exame, a empresa informou que a Argentina será o primeiro hub operacional da companhia fora do Brasil. Na sequência, o plano prevê a chegada ao México, com lançamento da operação ainda no segundo semestre.

A expansão também avança pela Europa, onde a empresa já tem negócios fechados em dez países e prepara seu primeiro hub regional em Portugal. Os Estados Unidos aparecem como mais um mercado previsto no plano de crescimento internacional.
Modelo de produção muda fora do Brasil
Enquanto o mercado brasileiro segue atendido por fabricação local, os equipamentos destinados ao exterior serão produzidos em parceria com uma planta na China, de onde serão exportados para os demais países.
Zire é a marca do reposicionamento
A ideia da Transire é avançar de forma gradual, respeitando as regras, particularidades operacionais e exigências regulatórias de cada país. O movimento acompanha a demanda de clientes que já atuam além das fronteiras brasileiras e buscam parceiros com capacidade tecnológica e escala global. É nesse contexto que entra a Zire.
“Essa não é uma máquina adaptada. Desenvolvemos do zero. A propriedade intelectual é nossa, com direito global de comercialização e produção”, disse o responsável pela estratégia de reposicionamento da Transire, Fernando Otani.

Logo no lançamento, o portfólio reúne 34 produtos, que vão de máquinas de pagamento e PDVs a PIN Pads, totens de autoatendimento e soluções de mídia, como displays de publicidade digital. Tudo pensado para atender um varejo cada vez mais integrado, onde pagamento, experiência do consumidor e eficiência operacional caminham juntos.
Otani explica que tanto a Zire quanto a internacionalização fazem parte de um plano bem definido:
“Estamos criando as bases para levar nosso modelo de eficiência, escala e confiabilidade para outros mercados. Isso passa por investimentos contínuos em tecnologia, engenharia, certificações e parcerias estratégicas, sempre com disciplina financeira”.
Esse novo ciclo se apoia em um ecossistema que já soma mais de mil parceiros, entre adquirentes, subadquirentes, plataformas de software e empresas de tecnologia.
