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Fabricante chinesa está usando Manaus para desenvolver celulares exclusivos para o Brasil

Aposta em aparelhos "sob medida", com bateria adaptada e modelos exclusivos, visa fazer frente às gigantes do setor

Foto: Suellen Fonseca/PIM Amazônia

Você já ouviu falar na Jovi? Enquanto a maioria das marcas vendem no Brasil os mesmos celulares lançados em outros países — com algumas variações, é verdade —, a aposta da chinesa foi produzir em Manaus aparelhos pensados no consumidor brasileiro. A produção no Polo Industrial de Manaus (PIM) começou há quase um ano, em parceria com a GBR Componentes.

A marca ligada ao grupo vivo Mobile Communication já colocou cinco modelos no mercado nacional e passou a adotar uma estratégia que chama de “tropicalização”, ou seja, a adaptação dos aparelhos aos hábitos locais de consumo.

Na prática, os aparelhos da Jovi priorizam baterias de maior duração, carregamento mais rápido, maior resistência ao calor e ao uso intenso, além de preços ajustados ao custo-benefício do brasileiro.

Fabricante chinesa está usando Manaus para desenvolver celulares exclusivos para o Brasil

A decisão partiu de estudos sobre padrões de uso do celular no Brasil, como uso contínuo do celular ao longo do dia. Junto com o Instituto Ipsos, uma pesquisa mostrou que 71% dos entrevistados afirmaram já ter ficado sem bateria em momentos importantes do dia.

Um dos exemplos é o modelo Y29s, equipado com bateria de 6.500 mAh e carregamento rápido de 44W. São recursos que buscam reduzir a dependência da tomada ao longo do dia.

Adaptação às regras do jogo

Com presença em 60 países, a aposta da Jovi não é por acaso. O Brasil é hoje o 4º maior mercado de smartphones do mundo e o maior da América Latina, mas também um dos mais competitivos, dominado por marcas já muito conhecidas do público, como Samsung, Apple e Motorola.

Fabricante chinesa está usando Manaus para desenvolver celulares exclusivos para o Brasil

Para entrar no jogo, a Jovi decidiu concentrar esforços no segmento intermediário. Esta é a faixa que combina preço mais acessível com desempenho elevado.

A linha V reúne modelos com melhor câmera, tela e desempenho, voltados ao público que busca recursos premium. Já a linha Y prioriza autonomia de bateria com tecnologia própria, chamada BlueVolt, que promete baterias maiores e mais finas, com carregamento mais rápido e maior durabilidade ao longo do tempo.

Parceria estratégica em Manaus

A produção em Manaus é fundamental nos planos da Jovi no Brasil, pois reduz custos logísticos e permite enquadramento nos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus.

Os aparelhos vendidos no Brasil são montados na fábrica da GBR Componentes, responsável pela linha de produção, contratação de mão de obra e operação fabril. A Jovi, por sua vez, define o celular, o projeto, as especificações, o software, os testes, o padrão de qualidade e a estratégia.

Fabricante chinesa está usando Manaus para desenvolver celulares exclusivos para o Brasil

A fábrica iniciou 2025 com capacidade para produzir 100 mil unidades, volume que deve crescer ao longo de 2026. Atualmente, quatro modelos são fabricados localmente: V50 Lite 5G, Y19, Y29 e Y29s 5G, de um total de cinco comercializados no país.

Segundo a empresa, a operação em Manaus replica o padrão de plantas já operadas em países como China, Índia e Turquia. A unidade fabril atende exclusivamente o mercado nacional e está preparada para aumentar a produção conforme a demanda.

Disputa por espaço

Em 2026, a empresa estuda lançar novos smartphones e ampliar sua presença em lojas físicas, marketplaces (plataformas de venda on-line) e operadoras de telecomunicações.

A aposta acontece em um momento em que a percepção do consumidor em relação às marcas chinesas também mudou. Segundo a Ipsos, 74% dos brasileiros acreditam que a qualidade dos produtos chineses melhorou nos últimos cinco anos — um movimento que abre espaço para novos entrantes.

Agora é esperar se a estratégia de “tropicalização” vai resultar trazer bons números para a Jovi.

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