Economia
Varejo de Manaus registra avanço de vendas digitais e pagamentos via pix no Natal, mas contratações seguem cautelosas
61% dos lojistas registraram aumento de vendas no período
O Natal de 2025 consolidou o avanço das vendas digitais e dos pagamentos via pix no varejo de Manaus, o que contribuiu para que 61% das empresas registrassem aumento nas vendas. Ao mesmo tempo, empresários mantiveram postura cautelosa nas contratações temporárias. É o que aponta a Pesquisa Sondagem de Vendas – Devolutiva Compras de Natal 2025, realizada pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas (IFPEAM).
Segundo o levantamento, 41% das empresas registraram aumento nas vendas on-line, com destaque para o Social Commerce, que são vendas via Instagram, TikTok e WhatsApp, e puxadas por itens de perfumaria e brinquedos. Para isso, 84% das lojas apostaram no marketing digital.

Segundo a pesquisa, o baixo fluxo físico, ocasionado, por vezes, pelas chuvas típicas de dezembro na capital amazonense foi o que impulsionou o bom desempenho do e-commerce.
Já em relação às formas de pagamento, pix e dinheiro lideraram as transações, concentrando 61% das vendas e superando o cartão de crédito, que respondeu por 36%. Esse cenário é definido pela pesquisa como o “Natal do Pix”.
Apesar desse avanço nos meios digitais e na modernização do consumo, o varejo adotou cautela na gestão de pessoal: 48% das empresas não realizaram contratações temporárias, optando por manter as equipes já existentes. Entre os lojistas que contrataram, 39% reforçaram o quadro com até três funcionários, principalmente para atendimento e organização de estoque.

Das empresas consultadas, 58% eram microempresas, com até 9 funcionários; seguidas por empresas de pequeno porte, que possuíam de 10 a 49 colaboradores. Grandes empresas representaram 14%, com 100 ou mais pessoas contratadas.
Foram consultadas 318 empresas varejistas de todas as zonas de Manaus nos dias 7 e 8 de janeiro, das quais 45% integram shoppings centers, 37% o centro da cidade, 14% lojas de bairro e 4% lojas virtuais.
Desempenho das vendas
61% das empresas relataram aumento nas vendas em comparação com o Natal de 2024. Entre elas, 50% tiveram crescimento de até 10% no faturamento, enquanto 35% registraram alta entre 11% e 35%, com destaque para os setores de roupas e moda, calçados, perfumaria, eletrônicos e hipermercados.
A categoria “Roupa/Moda” liderou no período, com 29% das vendas; seguida por “Calçados”, com 27%; e itens de “Perfumaria e Beleza”, com 10%.
19% dos lojistas apresentaram queda
Apesar do desempenho positivo da maioria do comércio, cerca de 19% dos lojistas registraram queda nas vendas em 2025. Entre os empresários que enfrentaram dificuldades, 45% tiveram retração de até 10%, enquanto 32% registraram queda entre 11% e 20%. Já 16% apontaram redução entre 21% e 35%, e 7% relataram perdas superiores a 35%, consideradas mais acentuadas.

De acordo com a análise da Fecomércio Amazonas, três fatores principais ajudam a explicar as quedas mais expressivas, especialmente aquelas acima de 35%:
- “Efeito antecipação” – Em 2025, a Black Friday foi marcada por promoções agressivas, levando muitos consumidores a anteciparem a compra dos presentes de Natal. Com isso, lojistas que não conseguiram integrar as campanhas promocionais de novembro ao período natalino sentiram um esvaziamento das vendas em dezembro;
- Custo do crédito – O faturamento real do varejo em 2025, já descontada a inflação, apresentou retração em alguns indicadores. Empresas que dependiam fortemente de parcelamentos longos no cartão de crédito foram mais impactadas pela maior resistência do consumidor em assumir dívidas;
- Ascensão do pix – Utilizado por mais de 50% dos brasileiros, o meio de pagamento favorece compras à vista e descontos imediatos. Lojistas que não ajustaram suas estratégias de preço e condições comerciais para essa nova dinâmica perderam competitividade e volume de vendas.
Ticket médio e estratégias
O ticket médio também apresentou crescimento, chegando a R$ 463,05, alta de 13% em relação a 2024, quando foi de R$ 410,35, indicando maior disposição do consumidor para a compra de produtos de maior valor agregado.

As promoções e ofertas foram a principal estratégia adotada pelos lojistas, citadas por 55% dos entrevistados, seguidas por brindes e sorteios (22%) e facilidades de pagamento (16%). Quanto aos estoques, 59% dos empresários afirmaram ter trabalhado com volume maior ou muito maior do que no ano anterior, refletindo maior confiança na demanda.
