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Da casa de farinha ao artesanato: comunidades ribeirinhas reinventam o turismo no Maranhão

Comunidades de Barreirinhas transformam saberes tradicionais em experiências turísticas que geram renda, valorizam a cultura local e estimulam a bioeconomia

Foto: Raquel Chaves

Às margens do Rio Preguiças, no município de Barreirinhas (MA) — porta de entrada dos Lençóis Maranhenses —, comunidades tradicionais encontraram no turismo de base comunitária uma alternativa para diversificar a renda e preservar modos de vida ancestrais. No povoado Tapuio, com cerca de 160 famílias, moradores reativaram uma antiga casa de farinha para demonstrações aos turistas, que aprendem de forma prática todo o processo artesanal da mandioca, da extração do pó à produção de derivados como amido e tucupi.

A iniciativa incrementa a renda local em até 40% na alta temporada, segundo os moradores, sem interferir na rotina da comunidade. O trabalho é articulado com apoio do Sebrae, que oferece capacitações em precificação, storytelling e design, fortalecendo o turismo sustentável e a autonomia das famílias.

Saberes tradicionais viram experiência turística e renda sustentável

Quem conduz as visitas na casa de farinha é José Maria Diniz Araújo, morador do Tapuio, que transforma a demonstração em uma verdadeira aula cultural, mesclando história, bom humor e até explicações em francês para atender o público estrangeiro. “Os europeus valorizam muito a cultura e a identidade local. Saem daqui surpresos com tanta riqueza cultural”, relata.

O modelo de turismo praticado no Tapuio preserva o cotidiano da comunidade e ajuda a conter a pressão da especulação imobiliária na região. Apesar do avanço gradual, José Maria ressalta o desafio de conquistar espaço diante do turismo de massa e de despertar o interesse dos jovens para manter viva a tradição da farinha.

Mais adiante, também às margens do Rio Preguiças, o povoado Marcelino ampliou oportunidades por meio do artesanato em fibra de buriti. A visita começa na “Casa das Artesãs”, mas o ponto alto é a vivência do processo produtivo: da coleta da palha ao tingimento natural e ao trançado das peças. O passeio não é cobrado, mas estimula a compra direta dos produtos.

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Atualmente, 11 artesãs produzem entre 70 e 80 peças por mês, vendidas no Brasil e no exterior, incluindo mercados como Bélgica e Itália. “Começamos com o apoio do Sebrae. Hoje conseguimos andar com as próprias pernas”, afirma Josy Santos, artesã e líder comunitária.

Além da geração de renda, o trabalho fortalece práticas sustentáveis, como o uso de 12 corantes naturais extraídos da mata, e cria identidade própria com técnicas de trançado desenvolvidas na comunidade. Para as mulheres de Marcelino, o artesanato representa pertencimento, autonomia e força feminina, consolidando o turismo comunitário como um caminho viável de desenvolvimento aliado à preservação cultural e ambiental.

Fonte: Sebrae