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Entenda o incidente que paralisou a perfuração na Foz do Amazonas

Companhia afirma que vazamento foi de fluido de perfuração, sem risco ambiental, e que atividade em área próxima ao Amapá segue sob avaliação

Sonda ODN II, da Foresea, contratada pela Petrobras para a Bacia da Foz do Amazonas (Foto Divulgação Petrobras)

A Petrobras interrompeu a perfuração do poço exploratório em águas profundas no bloco FZA–M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, após um incidente registrado no domingo (4/1) envolvendo a sonda utilizada na operação. Segundo a companhia, houve perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, sem registro de vazamento de petróleo.

De acordo com a estatal, o vazamento foi imediatamente contido e isolado, não havendo problemas estruturais na sonda nem no poço. A empresa informou ainda que o fluido está dentro dos limites de toxicidade permitidos, é biodegradável e não oferece riscos ao meio ambiente ou às pessoas. A perfuração ocorre a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma região considerada ambientalmente sensível por sua proximidade com a Floresta Amazônica.

Licenciamento ambiental

A Petrobras informou que, no momento, as linhas envolvidas no incidente estão sendo trazidas à superfície para avaliação e reparo, e que os órgãos competentes já foram notificados. Questionada sobre a retomada da perfuração, a companhia afirmou que ainda não há previsão. A atividade havia começado no final de outubro, após um longo e controverso processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com expectativa inicial de conclusão em cinco meses.

A liberação ocorreu após anos de discussão e exigências adicionais, já que o primeiro pedido de licenciamento foi negado. Apesar de a Petrobras reiterar que não possui histórico de vazamentos de petróleo em perfurações exploratórias, tentativas realizadas no início dos anos 2000 na região enfrentaram falhas técnicas e levaram ao abandono de poços. A abertura de uma nova fronteira exploratória na Margem Equatorial segue sendo alvo de debates políticos e judiciais, com ações movidas por organizações ambientalistas, indígenas, quilombolas e pescadores artesanais.

O episódio ocorre em meio a um cenário internacional volátil para o setor de energia, com incertezas envolvendo a Venezuela, oscilações nos preços do petróleo e discussões sobre investimentos e segurança energética. A perfuração na Foz do Amazonas é considerada estratégica para a reposição de reservas brasileiras, diante do declínio esperado da produção no pré-sal, e seus desdobramentos seguem sendo acompanhados de perto por autoridades, mercado e sociedade civil.

Com Informações da Eixos

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