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Ataque dos EUA à Venezuela resulta na captura de Nicolás Maduro; Entenda

Operação militar anunciada por Trump, captura de Maduro, reação do Brasil e tensão diplomática na região

Foto: Divulgação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (3/12) um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades, como Miranda, Aragua e La Guaira. foram sido atingidas por vias aérea e terrestre. Em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que a operação foi bem-sucedida e que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país.

“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, disse o presidente norte-americano.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, rejeitou a presença de tropas estrangeiras no país e classificou o ataque de “vil e covarde”. Padrino pediu ajuda internacional.

Bombardeios dos Estados Unidos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses, com Trump acusando Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.

Histórico de intervenções e acusações

A última vez que os EUA invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico. Assim como fizeram com Noriega, os EUA acusam, sem apresentar provas, Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel. O governo dos EUA oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.

Para críticos, a ação tem motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de adversários globais dos EUA, como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo do país, que detém as maiores reservas comprovadas do mundo.

Processo judicial nos Estados Unidos

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados em tribunais de justiça dos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela procuradora-geral estadunidense, Pamela Bondi.

Ataque dos EUA à Venezuela resulta na captura de Nicolás Maduro; Entenda

Segundo Bondi, ambos foram indiciados no Distrito Sul de Nova York. Maduro foi acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos, e conspiração para posse de metralhadoras e dispositivos explosivos contra os Estados Unidos.

“Eles em breve enfrentarão toda a força da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”, escreveu Bondi no X (antigo Twitter). A procuradora-geral não detalhou as acusações contra Cilia Flores.

“Em nome de todo o Departamento de Justiça dos EUA, gostaria de agradecer ao presidente Trump por ter a coragem de exigir responsabilização em nome do povo americano, e um enorme agradecimento às nossas bravas Forças Armadas que conduziram a incrível e bem-sucedida missão de captura desses dois supostos narcotraficantes internacionais”, finalizou Bondi.

Lula condena ação militar

No Brasil, ainda pela manhã, o presidente Lula condenou a ação militar e cobrou uma resposta vigorosa da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, disse.

“A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz. A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, completou.

Situação na fronteira brasileira

O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, informou que a fronteira com a Venezuela, no estado de Roraima, está tranquila, monitorada e aberta. Segundo o governo, não há notícias de brasileiros feridos pelos bombardeios dos Estados Unidos contra a Venezuela.

 

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“A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente já há algum tempo lá de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Vamos aguardar a entrevista do presidente da República dos Estados Unidos, algumas coisas que vão acontecer durante o dia”, disse Múcio.

O ministro afirmou que o Brasil mantém cerca de 10 mil militares na região amazônica, sendo 2,3 mil em Roraima, e destacou que há muitas informações desencontradas, mas que o governo segue monitorando os acontecimentos.

Reuniões de emergência e situação dos brasileiros

A declaração foi feita após uma reunião de emergência no Itamaraty, em Brasília, da qual o presidente Lula participou por videoconferência. Uma segunda reunião foi marcada para às 17h, também no Itamaraty.

Participaram do encontro a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, além de representantes da Secretaria de Relações Institucionais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ataque dos EUA à Venezuela resulta na captura de Nicolás Maduro; Entenda

Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que Lula reforçou o posicionamento de condenação ao ataque dos EUA contra a Venezuela e à captura de Maduro e Cilia Flores por militares estadunidenses.

Maria Laura da Rocha afirmou que o Brasil ainda não tem informações sobre o paradeiro do presidente venezuelano, mas confirmou que não há relatos de brasileiros feridos.

“A comunidade brasileira está tranquila e nenhuma ocorrência até o momento. Os turistas que lá estão estão conseguindo sair normalmente. Normalidade total com relação à comunidade brasileira”, informou.

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