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Mega da Virada de R$ 1 bilhão projeta expectativas em Manaus

Concurso especial de fim de ano concentra apostas e projeções de futuro

Foto: Divulgação

Às vésperas do novo ano, Manaus entra em um ritmo próprio, marcado pelo vai e vem de apostadores nas casas lotéricas espalhadas pela cidade e também por aposta realizadas de forma on-line: a anual Mega da Virada, que em 2025 atinge um patamar inédito ao prometer pagar R$ 1 bilhão, o maior prêmio da história das Loterias Caixa.

O sorteio acontece às 21h (horário de Manaus) do dia 31 de dezembro, no Espaço da Sorte, em São Paulo, com transmissão ao vivo para todo o país. O valor bilionário amplia a sensação de que não se trata apenas de uma aposta, mas de um evento coletivo que atravessa classes sociais, gerações e rotinas, transformando conversas cotidianas em projeções sobre como seria a vida “do dia seguinte”.

Moradora do bairro Morro da Liberdade, zona sul da capital, a professora de ensino primário Paola Gualberto, de 24 anos, já realizou sua aposta de forma on-line. Ao portal PIM Amazônia, ela compartilha sua expectativa:

“Quando você ganha pouco, como é a realidade da maioria, a Mega vira quase um exercício de imaginação. Eu sei que é difícil ganhar, mas, ao mesmo tempo, é impossível não pensar no que eu faria. Ia pagar as dívidas, fazer uma pós-graduação fora do país e viajaria, mas viajaria muito. Isso só pra início de conversa”, conta.

Em 2025, mudanças importantes na estrutura da Mega da Virada ajudaram a impulsionar o montante final. A principal delas foi a alteração promovida pelo Ministério da Fazenda, que ampliou de 62% para 90% a parcela da arrecadação destinada ao prêmio principal, reservado aos acertadores das seis dezenas.

Mega da Virada de R$ 1 bilhão projeta expectativas em Manaus

Além disso, as apostas exclusivas para a Mega da Virada tiveram início ainda no fim de novembro, concentrando toda a arrecadação das semanas finais do ano no concurso especial. O resultado é um prêmio 57% maior do que o de 2024, quando a Mega da Virada pagou cerca de R$ 635 milhões.

O jornalista e assessor de comunicação Thalles Nascimento, de 27 anos, conta que esse crescimento bilionário reforça o caráter coletivo do evento: “A Mega da Virada pautou as conversas dos últimos dias. Ninguém fala de outra coisa. A gente discute sobre os números, faz bolão, brinca com hipóteses. Mas, no fundo, todo mundo está falando de futuro: mudar de cidade, abrir um negócio, ajudar os pais. A Mega vira um pretexto para as pessoas pensarem em como gostariam de viver, se o dinheiro não fosse uma preocupação constante”, analisa.

Aposta, trabalho e sobrevivência

Há 13 anos, o vendedor ambulante Edilon Severo, 52 anos, ocupa os mesmos pontos nas saídas das fábricas do Distrito Industrial, onde transforma a calçada em extensão do trabalho diário. Entre o vai e vem de operários e o cheiro de lanche quente, ele mantém um ritual que atravessa o tempo e resiste ao peso da rotina: a aposta anual na Mega da Virada. “Eu trabalho na rua seja com sol, seja com chuva e é muita correria. Todo fim de ano, desde 2018, eu faço a minha aposta, nem que seja a mais simples”, conta.

Para Severo, o prêmio milionário não se traduz em luxo ou ostentação, mas em algo bem mais básico: tempo e dignidade. “Quem vive do dia a dia não sonha com mansão nem carro importado. Sonha em descansar o corpo, cuidar da saúde que a gente vai deixando pra depois, e garantir que os filhos e os netos tenham estudo e não precisem passar pelo que eu passei”, afirma.

Segundo ele, a possibilidade de reduzir o ritmo de trabalho já seria, por si só, uma vitória. “Se desse pra trabalhar menos e viver um pouco mais, mas com qualidade, já estaria bom demais”, diz.

“A gente sabe que a chance é pequena, quase nada, mas o sonho é grande. Na hora de preencher o volante, você para, pensa num futuro diferente, imagina a vida mais leve, sem tanta pressão todo dia”, inclui.

Como apostar

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Manaus) do dia 31 de dezembro nas 166 casas lotéricas do Amazonas, além do portal e aplicativo oficial das Loterias Caixa e do internet banking para correntistas. Já os bolões digitais poderão ser comprados até 19h30.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6,00, mas muitos apostadores optam por marcar mais números ou participar de bolões, que se tornaram uma alternativa popular para aumentar as chances sem elevar tanto o custo individual.

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Entre os mais experientes está o aposentado Francisco de Assis Lopes, de 67 anos, ex-engenheiro civil, que prefere dividir apostas com amigos. “Passei a vida lidando com números e sei exatamente o tamanho dessa probabilidade”, reflete.

“Mas também aprendi que a vida não é feita só de cálculos. Hoje, eu penso menos em gastar comigo e mais em deixar um legado: ajudar instituições, garantir o futuro dos netos, financiar projetos que melhorem a vida de outras pessoas”, reflete. “Se ganhar, o dinheiro teria função social. Não faria sentido só acumular até porque da vida não levamos nada”, explica.

Estatísticas

Matematicamente, a chance de acertar as seis dezenas em um jogo simples é de 1 em mais de 50 milhões. Na aposta com sete números, que custa R$ 42, a chance sobe para uma em 7,1 milhões. Ainda assim, isso não afasta os apostadores: datas comemorativas, números “atrasados”, combinações fixas e a tradicional surpresinha seguem sendo estratégias comuns, misturando lógica, superstição e intuição.

Ao longo da história da Mega da Virada, o prêmio máximo nunca saiu para um único apostador. Em algumas edições, porém, a divisão foi bastante restrita. Apenas dois ganhadores compartilharam a bolada em três anos específicos: 2009, 2020 e 2021, edições que, quando atualizadas pela inflação, representaram montantes expressivos de R$ 351 milhões, R$ 429,7 milhões e R$ 452,6 milhões, respectivamente.

No extremo oposto, no concurso de 2018, 52 apostas acertaram as seis dezenas e dividiram um valor que, em termos atuais, equivale a R$ 435,4 milhões, diluindo o prêmio individual, mas ampliando o número de brasileiros que iniciaram 2019 como milionários.

A trajetória da Mega da Virada também mostra que o valor do prêmio não segue uma curva de crescimento contínuo. Há registros de recuo de um ano para o outro, especialmente quando se observa os valores nominais, sem atualização monetária. Um exemplo disso foi a passagem de 2015 para 2016, quando o montante pago caiu de R$ 246,5 milhões para R$ 220,9 milhões, o que mostra que o tamanho da bolada depende diretamente do volume de apostas realizadas em cada edição.