Economia
Fim de ano deve movimentar até R$ 1,6 bilhão na economia de Manaus, apontam lojistas
Calçado e vestuário estão entre os itens preferidos entre aqueles que pretendem ir às compras
Fotos: Divulgação
O comércio de Manaus entra no período natalino com perspectivas positivas, motivado pelos resultados de duas pesquisas que apontam forte intenção de compra e expectativa de crescimento das vendas.
Divulgada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Manaus, a Pesquisa de Intenção de Compras 2025 projeta alta de 5% nas vendas de Natal e movimentação de R$ 1,6 bilhão no fim do ano. O levantamento ouviu 1.560 consumidores em novembro.
Nesta pesquisa, 78% dos entrevistados confirmaram que vão às compras. Calçados (45%), vestuário (39%) e brinquedos (28%) lideram as intenções, seguidos por eletrodomésticos (24%) e smartphones (16%).

A estimativa é de um tíquete médio de R$ 172, com a maior parte dos consumidores concentrada na faixa entre R$ 101 e R$ 300. Promoções e descontos seguem como fatores decisivos para a compra: 32% dos entrevistados ouvidos pela CDL priorizam promoções e 26% citam o preço.
Na hora de pagar, prevalece o uso de cartão de crédito, com 41%, seguido pelo dinheiro (37%), cartão de débito (34%) e pix (29%).
“Mais de um presente”
Outro levantamento que traz números promissores é o da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM). A pesquisa, que ouviu 1.145 entrevistados em outubro, mostrou que 94% dos consumidores pretendem presentear no Natal.
Promoção e preço influenciam 34% das escolhas; qualidade do produto (28%) e bom atendimento (21%) também se destacam. O atendimento ruim, inclusive, é tido como o principal motivo de desistência para 40% dos entrevistados pela Fecomércio, superando o preço elevado (23%).
Entre os consumidores manauaras, a disposição para antecipar as compras também se destaca, com 55% planejando adquirir os presentes com pelo menos duas semanas de antecedência. Outros 37% devem deixar para a semana do Natal, enquanto 77% afirmam que irão comprar mais de um presente.
A Federação aponta predominância do vestuário (32%), seguido por perfumaria e cosméticos (18%), brinquedos (17%) e acessórios (9%). Produtos de maior valor, como eletrodomésticos e smartphones, aparecem com participação mais baixa, variando entre 3% e 4%. Entre os presenteados mais frequentes, mães e filhos lideram com 22% cada, enquanto namorados e cônjuges somam 17% e pais aparecem com 9%.

A Fecomércio confirma o padrão de consumo mostrado pela CDL e acrescenta que 38% dos consumidores planejam gastar acima de R$ 400 no total das compras natalinas.
O presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, afirma que há um clima de expectativa positiva para este natal entre empresários de diferentes áreas, ainda que cada segmento projete ritmos próprios de crescimento.
“É certo que cada setor tem uma expectativa de crescimento. Uns dizem que vai crescer 3%, outros dizem 5%, outros dizem 7%, outros dizem 10%, 12%. O dinamismo das vendas está diretamente ligado ao tipo de produto e ao perfil de consumo desta época do ano”, frisa.
Crédito com juros mais altos
Para o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, o maior obstáculo neste fim de ano continua sendo o custo do crédito, fortemente influenciado pela manutenção da taxa Selic em patamar elevado. Isso encareceu principalmente os juros de mora, além dos juros de financiamento das empresas e os juros dos cartões de crédito.

“A função do Banco Central, ao estabelecer a taxa Selic, é segurar o processo inflacionário. Só que, quando a taxa fica muito elevada, ela segura a inflação, mas cria uma crise que pode gerar desemprego, dificuldades da empresa nas compras e também negatividade. Então, tudo isso precisa realmente ser revisto”, diz.
O cenário faz com que o comércio passe a operar com instrumentos que estimulem o consumo sem agravar o endividamento das famílias, que segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC) está em grau elevado, ficando acima de 72%.
Essa necessidade de adaptação ganha ainda mais relevância especialmente pelo fato de que a maioria dos ouvidos pela Fecomércio pretende comprar presencialmente, com preferência por shoppings (40%), Centro da cidade (37%) e lojas de bairro (20%).
“O comércio está ciente das dificuldades e, naturalmente, vai funcionar em função do interesse ou da dificuldade do consumidor: se ele quiser fazer carnê, faz carnê; se quiser parcelar no cartão de crédito, parcela; se pagar à vista, ele vai ter um desconto mais expressivo, até porque, neste momento, tem muita gente negativada devido ao disparo da taxa Selic”, ressalta Frota.
Ao mesmo tempo, o dirigente afirma que existe um otimismo moderado com a tendência de redução da taxa básica, o que pode favorecer um ambiente mais estável para consumo e investimentos.
